Poder e Governo
Zema faz primeira visita ao Nordeste como pré-candidato à Presidência
Agenda inclui encontros em Pernambuco e na Paraíba, além de participação no São João de Caruaru; região já foi comparada por ele a “vaquinhas magras”
O pré-candidato Romeu Zema (Novo) terá, na próxima semana, sua primeira agenda no Nordeste como postulante à Presidência da República. A região, considerada um reduto petista, já foi comparada pelo ex-governador de Minas Gerais a “vaquinhas magras”.
De acordo com a pré-campanha, Zema participará de um encontro com filiados do Novo no Recife, na próxima quinta-feira. No dia seguinte, estará na Associação Comercial de Caruaru. No sábado, visitará o Museu do Mestre Vitalino, conhecerá a Feira de Caruaru e encerrará o dia no São João de Caruaru.
No último dia da agenda pelo Nordeste, em 21 de junho, o ex-governador estará em Campina Grande, na Paraíba. Os compromissos ainda estão sendo definidos.
Pernambuco, estado natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é um reduto eleitoral do petismo. Em 2022, Lula obteve 66,93% dos votos válidos no estado, contra 33,07% recebidos por Jair Bolsonaro (PL).
“Vaquinhas magras”
Zema já teve declarações rebatidas em duas ocasiões pelo Consórcio Nordeste, grupo formado por governadores da região. Em 2023, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele comparou o Nordeste a “vaquinhas magras”.
— Está sendo criado um fundo para o Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Agora, e o Sul e o Sudeste não têm pobreza? (...) Senão, você vai cair naquela história do produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito. Daqui a pouco, as que produzem muito vão começar a reclamar o mesmo tratamento — declarou.
Naquele momento, o Consórcio Nordeste divulgou nota contra as declarações de Zema: “Negando qualquer tipo de lampejo separatista, o Consórcio Nordeste imediatamente anuncia em seu slogan que é uma expressão de ‘O Brasil que cresce unido’. Enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto, de união e reconstrução”.
“Ajuda eterna”
Depois da repercussão, Zema afirmou que suas declarações haviam sido mal interpretadas e que não usou as “palavras mais adequadas”. Em 2025, no entanto, voltou a ser alvo de críticas de governadores nordestinos. Em entrevista ao Metrópoles, ao ser questionado sobre as falas de 2023 em que criticava a dependência do Nordeste em relação ao governo federal, declarou que, “no Brasil, há uma ajuda eterna”.
— Estamos criando cidades e estados para o governo federal ficar arcando eternamente, porque virou uma moeda de troca: “Ó, eu vou continuar te dando dinheiro, e você continua votando em mim”. É isso que está acontecendo — afirmou.
Em nota, o Consórcio Nordeste respondeu que “não procede a insinuação de que os estados nordestinos seriam os principais responsáveis pelo endividamento do país”. Segundo o grupo, dados atualizados até abril deste ano mostram que os estados brasileiros devem R$ 827,1 bilhões à União, sendo 92% dessa dívida concentrada em unidades federativas do Sul e do Sudeste.
“Em pleno século XXI, porém, os recursos públicos destinados à modernização produtiva ainda se concentram majoritariamente nas regiões Sudeste e Sul. O Nordeste nunca reivindicou esmolas, mas lutou pela criação de políticas de desenvolvimento regional capazes de valorizar suas potencialidades e apoiar seus empreendedores. A concentração histórica de infraestrutura, capital humano e crédito no Centro-Sul contrasta com a luta do Nordeste contra o abandono e o preconceito, e torna ainda mais urgente uma política nacional de desenvolvimento equilibrado”, diz o texto.
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