Poder e Governo
Vorcaro recebe visita de advogado na PF após rejeição de nova proposta de delação
Polícia Federal informou ao STF que o material apresentado pelo dono do Banco Master não trouxe fatos novos nem provas suficientes para avançar em acordo de colaboração.
O advogado Sérgio Leonardo chegou na manhã desta sexta-feira à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para visitar o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O encontro ocorre um dia depois de a PF formalizar a convocação da segunda proposta de delação premiada apresentada pelo executivo. A decisão foi comunicada oficialmente ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Procuradoria-Geral da República (PGR), com quem a defesa de Vorcaro também mantém negociações, ainda não apresentou resposta formal sobre o caso.
A PF avaliou que o material entregue não trouxe novidades em relação ao que já havia sido mapeado pelas investigações. Segundo o investigador, os anexos também não contêm elementos de prova, considerados essenciais para acordos de colaboração premiada. A corporação tem em mãos oito celulares de Vorcaro, com acesso a documentos e mensagens.
Na avaliação do pesquisador, o banqueiro teve poucas condições de corroborar seus relatos com documentos, uma vez que já não tem o controle do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
Integrantes da investigação sustentam que os anexos apresentados não contêm fatos suficientemente inéditos nem elementos de corroboração capazes de diagnóstico o avanço de um acordo. Também há, entre eles, a percepção de que o banqueiro não estaria disposto a cooperar e tentaria apenas ganhar tempo longe de um presídio comum.
A PF e a PGR passaram os últimos dias analisando a segunda proposta. A avaliação predominante é de que Vorcaro buscou mais se defender e justificar favores à classe política do que admite crimes e apontou novos caminhos para a investigação, como se espera em uma delação premiada.
Vorcaro é suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras que teria prejudicado correntistas e investidores do Master, incluindo fundos de previdência de estados e municípios, como o Rioprevidência. O rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por cobrir aplicações de até R$ 250 mil, foi estimado em cerca de R$ 50 bilhões.
Esta é a segunda vez que a PF se retira das negociações com o banqueiro. A primeira ocorrência em maio e levou a uma mudança na equipe de defesa. Na ocasião, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso, que passou a ser prorrogado pelo criminalista Sérgio Leonardo.
Os interlocutores da defesa de Vorcaro, por sua vez, afirmam que o material entregue reúne um conjunto consistente de histórias inéditas. Para eles, há uma avaliação de que o pesquisador demonstra resistência em obrigação com o acordo.
Após firmar um acordo de confidencialidade, em março, que marcou o início das tratativas, Vorcaro foi autorizado a permanecer em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde poderá receber diariamente seus advogados, das 9h às 17h.
Benefício em troca de informações
O acordo de colaboração premiada é um meio de obtenção de provas e prevê, entre outros pontos, a confissão de crimes e o pagamento de multa. Em troca, o investigado pode obter benefícios como redução de pena e progressão de regime.
Para ter validade jurídica, a delação precisa ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. O ministro já sinalizou que não deve concordar com a colaboração caso ela não seja perigosa. Se o acordo não prosseguir, PF e PGR ficam impedidos de utilizar o conteúdo dos anexos já entregues.
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