Poder e Governo
Bolsonaristas da Bahia resistem a apoiar ACM Neto sem pedido de voto para Flávio
Ex-prefeito de Salvador optou por caminhar com Ronaldo Caiado na disputa presidencial, enquanto ala do PL cobra apoio a Flávio Bolsonaro
Integrantes do PL da Bahia resistem à possibilidade de fazer campanha por ACM Neto (União Brasil) na corrida pelo governo estadual. O grupo argumenta que não deve pedir votos ao ex-prefeito de Salvador sem que haja, em contrapartida, apoio dele ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.
ACM Neto, principal nome do carlismo no estado, optou por se alinhar ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na disputa presidencial.
Nos bastidores, há um acordo entre a equipe de ACM Neto e dirigentes do PL sobre a eleição baiana. Ficou definido que o ex-prefeito apoiaria Caiado no primeiro turno, mas haveria a possibilidade de uma composição com Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na Bahia, o PT tem o atual governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição. Pesquisas recentes apontam cenário de empate técnico entre o petista e ACM Neto.
Apesar do entendimento, uma ala do PL ainda pressiona o ex-prefeito de Salvador a apoiar Flávio já no primeiro turno. O movimento contraria um pedido da própria família Bolsonaro. Em maio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) confirmou apoio a ACM Neto e afirmou que não adiantaria “torcer o nariz” para a decisão.
Nesta semana, Flávio Bolsonaro participou de um evento do agronegócio na Bahia, onde busca ampliar sua presença política e crescer nas intenções de voto.
Raíssa Soares, que disputou o Senado em 2022 e é pré-candidata à Câmara dos Deputados neste ano, afirma que o apoio da direita a ACM Neto “não é automático”. Conhecida pela defesa do chamado tratamento precoce durante a pandemia da Covid-19, a médica sustenta que a “libertação” da Bahia dos governos petistas “está a um diálogo de distância”.
— A vinda de Flávio Bolsonaro à Bahia mostrou que existe uma direita viva, mobilizada e pronta para entrar nessa batalha. Se ACM Neto quer o nosso apoio, precisa entender que apoio não é automático e que essa base não vai entrar numa campanha sem diálogo — afirmou Raíssa Soares.
O deputado estadual Diego Castro (PL) avalia que a agenda de Flávio no estado “deixou o recado” de que “existe uma direita organizada no Nordeste, com força nas ruas e disposição para enfrentar o PT”.
— Acredito que ACM Neto tenha observado o quanto essa base está empenhada em vencer o nosso adversário comum — declarou.
Por outro lado, o apoio à candidatura do ex-prefeito de Salvador, na atual configuração, é defendido pelo presidente estadual do PL, João Roma. Ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, Roma integra a chapa de ACM Neto e disputará uma das vagas da Bahia ao Senado.
Agenda na Bahia
Na terça-feira, Flávio Bolsonaro participou da Bahia Farm Show, evento agrícola realizado em Luís Eduardo Magalhães (BA), município que está entre os maiores produtores nacionais de soja, milho e algodão. ACM Neto não esteve presente.
Durante o evento, o senador criticou o governo Lula e afirmou que a gestão petista trata o agronegócio como “fascistas” e “bandidos”.
— Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem ter um presidente que trata o agro como se fossem fascistas, como se fossem bandidos. Isso tem dia e hora para acabar — disse Flávio Bolsonaro, em discurso.
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