Poder e Governo
Camilo contraria governo Lula e defende classificar facções como terrorismo
Ex-ministro da Educação afirma que pauta da segurança pública não pode ser usada para fazer “politicagem”
O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) adotou um discurso diferente do governo federal e afirmou ser favorável à classificação de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. A declaração foi feita ao portal Metrópoles e confirmada pelo GLOBO.
“O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”, disse Camilo ao portal. Ao Metrópoles, o ex-ministro afirmou ainda já ter dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele fez um discurso equivocado ao se manifestar contra a decisão do governo dos Estados Unidos. Segundo Camilo, o governo americano pode colaborar no combate ao crime organizado.
“Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário”, declarou.
Criticada pelo governo federal, a classificação é apoiada por nomes da direita, entre eles o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. Dias antes de a decisão ser anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente americano, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. Após o encontro, Flávio afirmou ter solicitado a Trump que a classificação fosse adotada.
Depois do anúncio, Lula criticou a decisão das autoridades americanas, que classificou como uma ameaça à soberania nacional. Em nota divulgada no dia 29 de maio, o governo federal afirmou que as facções cometem “terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, mas acrescentou que o combate a esses grupos é uma prerrogativa do Estado brasileiro.
Segundo o presidente, CV e PCC não se enquadram no conceito de terrorismo usado pelos Estados Unidos para tratar grupos extremistas internacionais. Lula defende a cooperação no combate ao crime organizado.
— Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos — disse Lula, ao citar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, e o empresário Ricardo Magro. — Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta.
O Ceará enfrenta conflitos envolvendo facções como o CV e o PCC, além de outros grupos, como o Terceiro Comando Puro. Divulgada em maio, a última edição do Atlas da Violência, levantamento sobre mortes violentas elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que o estado teve quatro das cinco cidades com os maiores índices de homicídios em 2024.
Em discurso no plenário do Senado nesta terça-feira, Camilo Santana elogiou a atuação do governo federal na área da segurança pública e pediu ao presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, que coloque a PEC da Segurança em votação.
— O Brasil sempre estará aberto à cooperação internacional no combate ao crime organizado: cooperação entre as polícias, compartilhamento de inteligência, parcerias contra o tráfico internacional. Com diálogo e responsabilidade, nós atravessaremos esse momento com as ferramentas de uma democracia sólida — afirmou Camilo no plenário.
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