Poder e Governo
Defesa de Vorcaro aguarda posição da PGR sobre delação rejeitada pela PF
Procuradoria mantém negociações em análise e deve se manifestar nos próximos dias
Após a Polícia Federal rejeitar, nesta quinta-feira, a segunda versão da delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a defesa do ex-banqueiro aguarda agora o posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o acordo para definir os próximos passos e ajustar sua estratégia.
Interlocutores da PGR ouvidos pelo GLOBO afirmam que ainda não há uma convicção formada pelos investigadores da Procuradoria. Nos bastidores, porém, há uma tendência de rejeição da colaboração apresentada por Vorcaro.
A avaliação preliminar, semelhante à da Polícia Federal, é de que o material entregue não trouxe informações consideradas relevantes para o avanço das investigações. Ainda assim, os documentos continuam sendo analisados pela equipe escalada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conduzir as tratativas relacionadas ao ex-banqueiro. Não há prazo definido para uma manifestação oficial da PGR.
Integrantes envolvidos na análise afirmam que o conteúdo segue em exame sob diferentes critérios, entre eles a consistência das informações apresentadas, a possibilidade de comprovação dos fatos narrados e a utilidade prática dos elementos oferecidos para o andamento das apurações.
Na avaliação da defesa, a proposta ainda não foi descartada pela cúpula do Ministério Público, apesar da rejeição pela PF. A expectativa de interlocutores que acompanham as negociações é de que a PGR conclua, nos próximos dias, uma análise mais aprofundada sobre o conteúdo dos anexos e sobre o potencial de colaboração efetiva de Vorcaro.
A continuidade das tratativas é interpretada pelos advogados como sinal de que ainda haveria espaço para ajustes e complementações no material entregue às autoridades. Desde a apresentação da segunda versão da proposta, a defesa tem feito alterações e acréscimos em resposta a questionamentos formulados por investigadores e procuradores.
A estratégia dos advogados tem sido concentrar esforços no convencimento da PGR sobre a relevância das informações oferecidas. A defesa avalia que um parecer favorável da Procuradoria poderia ajudar a superar, pela segunda vez, a rejeição da Polícia Federal.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já indicou a interlocutores que considera desejável uma posição conjunta da PF e da PGR. Mendonça também sinalizou que a colaboração só deverá avançar caso apresente fatos efetivamente inéditos e relevantes para as investigações.
Não há, contudo, determinação legal para que um acordo de delação seja assinado conjuntamente pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A colaboração só passa a ter validade após homologação pela Justiça, a quem cabe a decisão final.
A rejeição da PF
A Polícia Federal considerou que o material apresentado não trazia novidades em relação ao que já havia sido mapeado nas investigações, além de não reunir elementos de prova considerados essenciais para acordos de colaboração. Os investigadores têm em mãos oito celulares de Vorcaro, com acesso a documentos e mensagens.
Segundo a avaliação dos investigadores, o banqueiro teria pouca capacidade de corroborar seus relatos com documentos, já que não detém mais o controle do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
Investigadores sustentam que os anexos entregues não apresentam fatos suficientemente inéditos nem elementos de corroboração capazes de justificar o avanço de um acordo de colaboração. Também há, entre eles, a percepção de que Vorcaro não estaria disposto a cooperar e tentaria apenas ganhar tempo fora de um presídio comum.
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