Poder e Governo
PF amplia investigação sobre aportes de previdências no Banco Master
Operação em Pernambuco mira aplicações de mais de R$ 3 milhões feitas com recursos de servidores municipais
Em mais uma frente de investigações sobre aportes de recursos previdenciários no Banco Master , a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na gestão de verbas da previdência dos servidores públicos municipais de Paulista, na Região Metropolitana do Recife (PE). A purificação mira investimentos de mais de R$ 3 milhões no banco, suspeita de fraudar o sistema financeiro do país.
Com a ação, já são três estados e três municípios com institutos de previdência na mira dos agentes federais por aplicações no Master.
Intitulada Operação Take Over , a investigação aponta que os investimentos foram feitos “por meio de decisões em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários”. A apuração em Pernambuco busca verificar se houve pagamento de propina aos gestores do fundo.
"Há decidido que as decisões estratégicas devem ser tomadas de forma isolada, sem a devida observância dos critérios de segurança, liquidez e transparência. A pesquisa clara se a conduta caracteriza a gestão temerária ou fraudulenta e apurar eventual prática de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro", especificou a PF em nota.
Pressão política
Além do município de Paulista, as suspeitas sobre aplicações bilionárias, sem critérios técnicos, feitas com recursos de aposentadorias no Master atingem as cidades de Cajamar e Santo André da Posse, no interior de São Paulo, e os estados do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas. Ao todo, os esportes sob suspeita ultrapassaram R$ 4 bilhões.
Nos seis casos, investigamos falhas na governança dos investimentos, possíveis pressões para liberar os transportes, suspeitas de pagamento de propina, atuação de intermediários e descumprimento de regras técnicas na proposta das aplicações.
No Rio de Janeiro, a investigação parcerias aportes suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações movimentaram cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024, durante a gestão do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, nomeado pelo governador Cláudio Castro. Deivis está preso desde fevereiro, e Castro foi alvo de uma operação da PF em maio em razão dos aportes. A defesa do governador nega qualquer irregularidade.
A polícia também apura aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões do Rioprevidência, feitas a partir de julho de 2024. Em nota, o instituto afirmou que, em dezembro de 2025, resgatou R$ 1,4 bilhão de um dos fundos administrados pela Master e que estuda medidas para recuperar o dinheiro alocado em outros fundos.
No Amazonas, a PF investiga suspeitas de transportes irregulares de R$ 390 milhões da Amazonprev, entidade responsável pela previdência social dos servidores públicos civis do estado. No início de março, a corporação realizou uma operação com sete mandatos de busca e apreensão. Entre os alvos estavam três ex-diretores da Amazonprev. Os servidores públicos também foram afastados de suas funções.
Em fevereiro, a PF já havia realizado uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na aprovação e execução de investimentos de cerca de R$ 400 milhões feitos pela Previdência do Amapá (Amprev), autarquia responsável pela previdência social do estado, em letras financeiras emitidas pela Master. A PF revelou que os gestores do fundo ignoraram alertas internos e pressionaram para que o apoio na instituição financeira de Daniel Vorcaro fosse realizado. Também havia, segundo a corporação, risco de destruição de provas.
Os municípios paulistas de Cajamar e Santo André da Posse aplicaram no Master, respectivamente, R$ 107 milhões e R$ 13 milhões.
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