Poder e Governo
Janones orienta militância a ‘criar versão dos fatos’ em evento do PT
Deputado, um dos nomes mais ativos no enfrentamento ao bolsonarismo nas redes, tem métodos questionados até por aliados
Em discurso a uma plateia formada por militantes do PT, o deputado federal André Janones (Avante-MG) deu orientações aos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre como atuar nas redes sociais. Entre os conselhos, o parlamentar defendeu não responder às notícias falsas dos adversários, sob o argumento de que isso pode ampliar o alcance das publicações, e afirmou ser necessário “criar versão dos fatos” .
Janones é um dos nomes mais ativos no enfrentamento ao bolsonarismo nas redes sociais. Seus métodos, no entanto, são questionados até mesmo por aliados, principalmente na razão da linguagem mais agressiva e de abordagens apontadas como distorções dos fatos. Nas eleições de 2022, ele atuou de forma incisiva na campanha de Lula e deve voltar a ter papel semelhante em 2026.
Na terça-feira, o deputado discursou em um evento organizado pelo PT, com o objetivo de mobilizar a militância nas plataformas digitais, unificar o discurso governamental e ampliar a presença do presidente nas redes para fazer frente ao bolsonarismo. Estavam presentes ministros do governo, parlamentares de esquerda — de partidos como PT, PCdoB, Rede e PSOL — e integrantes da pré-campanha de Lula, como o marqueteiro Raul Rabelo.
Em sua fala, Janones deu conselhos à militância sobre como deveria ser a atuação nas redes. Segundo ele, é preciso usar uma linguagem de fácil compreensão para a população.
— É sempre uma linguagem que as pessoas entendem. Ela é feia? Estou me lixando para ser bonito, nunca quis ser um bom orador. Quero ser um bom comunicador, que é o que fala e as pessoas entendem o que ele está falando. É isso que vale — disse.
Em um dos conselhos, o deputado afirmou que os apoiadores não deveriam responder a notícias falsas. Na avaliação dele, no melhor dos cenários, a ocorrência apenas “empata” os desgastes, pois comprova que determinada informação não é verdadeira, mas também dá visibilidade ao tema. Nesse contexto, Janones disse que uma alternativa é desviar o foco, o que, segundo ele, “não é mentiroso”.
— Desviar o foco não é mentiroso, não. É você contar outra história, com outra visão — afirmou.
Em seguida, o parlamentar relatou um episódio da campanha de 2022, quando disse ter tido acesso a um aparelho celular com conteúdos de Gustavo Bebianno, que foi um dos principais aliados de Jair Bolsonaro na campanha de 2018.
— Eu tinha um celular que foi passado por uma pessoa que coordenou a campanha do Bolsonaro em 2018 e que era então meu aliado. E, nesse celular, havia conteúdo do celular do Bebianno, imagens de bastidores que ninguém nunca tinha visto. Então, eu tinha mesmo esse conteúdo. Fui à rede social e falei: “olha, recebi os conteúdos do celular do Bebianno e vou soltar a qualquer momento”. E isso tomou conta da internet, desviou o foco de lá, eles tremeram tudo. Não era uma mentira, eu tinha o conteúdo. O conteúdo era o Bebianno fornecido água para o Bolsonaro, conversa de bastidor, não tinha nada demais. Mas eu não falei que tinha algo, eles deduziram isso — afirmou o deputado.
Janones também citou outro episódio dentro da estratégia de desviar o foco. Segundo ele, o então presidente Jair Bolsonaro afirmou publicamente que Lula, caso eleito, indicava o ex-ministro José Dirceu para a Esplanada, em uma crítica que associava Dirceu à corrupção. Como resposta, o deputado disse ter levantado a possibilidade de Bolsonaro nomear Fernando Collor para um ministério.
— Eu mudei a pauta. Estava em um hotel, liguei para meus avaliadores e disse: “imprime para mim, acha aí no Google imagens do Bolsonaro com o Collor, imprime colorido para aparecer a foto”. Eu entreguei. Em cinco minutos, fiz uma live e falei: "urgente! Consegui aqui, com exclusividade, as fotos que comprovam a ligação do Bolsonaro com o Collor. Coloque aqui as fotos e, se o Bolsonaro for reeleito presidente, ele poderá nomear o Collor ministro". E poderia mesmo, não tinha nada que impedisse. O Collor estava com os direitos políticos ativos, poderia ser nomeado. Então, não era uma mentira. O caso deles era mentira, porque eles não falam “poderia”, eles falam que eu nomear. A narrativa é olhares diferentes sobre uma situação que é subjetiva — disse o parlamentar.
Mais lidas
-
1PERFIL | JUSTIÇA
Quem é a juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento do Caso Henry Borel
-
2ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
3ACIDENTE INDUSTRIAL
Fábrica de fogos de artifício pega fogo e causa explosões em Malta
-
4CASO HENRY BOREL
Atual mulher de Jairinho depõe no julgamento e minimiza relatos de violência: 'Defeito dele era a infidelidade'
-
5TÊNIS BRASILEIRO FAZ HISTÓRIA
João Fonseca quebra jejum de mais de 20 anos ao chegar às quartas de final de Roland Garros