Poder e Governo
Nikolas ironiza críticas por voo em jatinho de Vorcaro: “Está com inveja?”
Deputado do PL citou uso de aeronave do dono do Banco Master durante a campanha de 2022 e afirmou que, à época, não havia acusação contra ele
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou, nesta quarta-feira, as críticas recebidas por ter usado um jatinho de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso no âmbito de investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras. Em discurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Nikolas afirmou que parlamentares da base governamental “estão com inveja”.
A declaração foi feita durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a pena de maioria de 18 para 16 anos.
Ao longo da sessão, deputados do PT e do PSOL disseram que a votação da proposta seria uma tentativa de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de se desvincular dos desgastes provocados pelo caso Banco Master.
— A única coisa que eles disseram foi: “Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro, extrema-direita, extrema-direita, extrema-direita, Banco Master, Banco Master, Banco Master”. Tem algum menor envolvimento no Banco Master que eu não tenho certeza? Pelo que eu saiba, a única coisa que tenho para falar de mim aqui é: “Pegou voo no jatinho do Vorcaro”. Está com inveja, é? Está com inveja? Porque, quando eu peguei, ele era criminoso? Tinha alguma coisa? —disse Nikolas.
O deputado do PL também causou escândalos de corrupção anteriores, como a Lava Jato, que teve entre seus principais alvos membros da base do governo da então presidente Dilma Rousseff.
— Se eu citar os nomes da lista da Odebrecht, vai ficar chato. Meu nome nunca esteve na lista da Odebrecht — afirmou.
Como revelado em março, um jato de Daniel Vorcaro foi utilizado durante a campanha eleitoral de 2022. De acordo com informações divulgadas à época, os voos oferecidos em pelo menos nove estados e no Distrito Federal, ao longo de dez dias do segundo turno das eleições presidenciais.
A aeronave foi usada nas posições de uma caravana liderada por Nikolas e pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha. O objetivo era buscar votos em regiões onde Luiz Inácio Lula da Silva obtivesse maioria no primeiro turno, na tentativa de reversão o resultado na reta final da disputa.
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