Poder e Governo

Em visita à Faria Lima, Renan diz que ainda 'tem que se provar' como candidato, mas é mais viável do que Caiado e Zema

Líder do MBL apareceu com 3% na pesquisa Quaest nesta quarta-feira, 10, empatado com os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais

Agência O Globo - 10/06/2026
Em visita à Faria Lima, Renan diz que ainda 'tem que se provar' como candidato, mas é mais viável do que Caiado e Zema
Renan Santos - Foto: Reprodução / internet

Em conversa com investidores de Faria Lima, nesta quarta-feira, 10, o fundador do MBL e pré-candidato a presidente pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou que tem “projeto ainda sólido” para o país, mas precisa “se provar” para ser respeitado como tal e tratar de alianças eleitorais a cerca de dois meses para o início oficial da campanha.

— Eu tenho que me provar, porque todo mundo me tirou para otário no começo. Tenho que mostrar força para que as pessoas que duvidam de mim entendam que o projeto é sólido, que temos ideias boas e conquistamos bem, que somos lideranças superiores. Aí eu me torno apto para ser ouvido. Porque eu não vou me divertir a conversar com alguém que não vai me respeitar numa conversa — disse em encontro organizado pela Genial Investimentos.

Santos foi questionado sobre possíveis acordos com os ex-governadores de Goiás, (PSD), e de Minas Gerais, (Novo). A leitura entre alguns empresários é que ele demonstra força digital acima da mídia, com apelo significativo no eleitorado jovem, e uma composição com políticos mais experientes poderia fazer uma candidatura alternativa deslanchar nas pesquisas.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, mostra o presidente (PT) com 39% das intenções de voto, contra 29% do senador (PL), em tendência de queda após a descoberta de suas relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Santos marca 3%, mesmo percentual de Caiado, e Zema tem 2%.

Na visão de Santos, um aspecto que o torna mais viável do que a dupla de concorrentes é o seu desprendimento com o bolsonarismo e o chamado “Centrão”. O MBL, que ganhou notoriedade nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro, em 2018, mas depois rompeu com o ex-presidente.

— Eu não concordo em passar pano para o Flávio Bolsonaro, eles concordam. Então eu vou ter que convencer por outros meios, e o principal deles é mostrar que eu sou mais viável do que eles. Se eles se sentarem com espírito público, vão para conversar comigo e eu serei muito generoso na construção de um caminho comum, como foi no impeachment.

Santos entende que o caminho eleitoral passa pela desconstrução de Flávio Bolsonaro, a quem acusa de estar ligado a facções criminosas e milícias no Rio de Janeiro. Entre acenos liberais, como uma campanha abertamente voltada para ajustes fiscais impopulares que garantem “capital político” para encaminhar reformas como no governo Michel Temer (MDB), ele disse que pretende criar “contraste” com o filho de Bolsonaro nos debates, trazendo polêmicas à pauta.

— O meu foco não é destruir o Flávio, mas ele me obriga a falar disso. Não tenho culpa de ele rachar o salário dos funcionários no gabinete para comprar casa na área de milícia, ou de ele andar com o Adriano da Nóbrega, que era matador de aluguel de bicheiro. O que eu tenho que deixar claro para vocês é que votem no Flávio é apoiar um prodígio ligado ao Comando Vermelho.

Outros momentos, contudo, tocaram em pontos mais sensíveis ao público do mercado financeiro. Santos declarou ser favorável às políticas de privatização, mas ao contrário a fazer isso com a Petrobras pelo seu valor estratégico. Ele também investiu no potencial brasileiro de liderança do “Sul Global”, investindo em cadeias produtivas próprias, como em minerais raros, e afastando a política externa de “alinhamentos automáticos” com a China ou os Estados Unidos.

Ao final do evento, em conversa com jornalistas, ele disse que pode angariar o voto antipetista e parte do eleitorado mais fiel de Flávio, a partir do momento em que ele apareceu em desvantagem contra Lula e o PT:

— Isso vai obrigar essa pessoa a fazer uma escolha muito dura, que é abandonar certo afeto pela família Bolsonaro e procurar algo novo. Estou construindo esse caminho paralelo.