Poder e Governo

Pedido de vista interrompe julgamento no TSE sobre suspensão de pesquisa envolvendo Flávio Bolsonaro

Ministra Estela Aranha pediu mais tempo para análise, e liminar de Nunes Marques segue em vigor

Agência O Globo - 09/06/2026
Pedido de vista interrompe julgamento no TSE sobre suspensão de pesquisa envolvendo Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a decisão do presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, que retirou de circulação uma pesquisa da AtlasIntel envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi interrompido nesta terça-feira após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Com isso, permanece em vigor a liminar que suspendeu a divulgação do levantamento até que o caso retorne à pauta.

A análise era acompanhada com expectativa nos bastidores do tribunal, por ser vista como um possível indicativo da postura que a Corte poderá adotar durante o período eleitoral em casos relacionados a pesquisas de opinião e à alegada influência sobre eleitores.

Antes da interrupção, os ministros ouviram os argumentos de Kássio Nunes Marques em defesa da decisão, que acolheu parcialmente pedido do PL e apontou a existência de possível indução dos entrevistados pelo formato do questionário aplicado pela AtlasIntel. As defesas da empresa e do partido também apresentaram suas posições.

Na decisão liminar, proferida na segunda-feira, o presidente do TSE afirmou que a sequência de perguntas utilizada pela empresa aparentava, em análise preliminar, “extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos possivelmente aptos a influenciar as respostas relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem do pré-candidato”.

O principal questionamento do partido de Flávio Bolsonaro dizia respeito à inclusão, no levantamento, de referências ao áudio em que o senador trata de repasses para o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nunes Marques também observou que outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE não utilizaram metodologia semelhante.

“A permanência de circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral, especialmente diante da elevada capacidade de difusão e replicação do conteúdo em meios digitais e veículos de comunicação”, escreveu o ministro.

A AtlasIntel sustenta que não houve indução dos entrevistados. Em nota, a empresa afirmou que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro não foi reproduzido antes da aplicação do questionário principal e que pesquisas posteriores realizadas por outros institutos identificaram padrão semelhante de impacto eleitoral. O movimento de desgaste do senador também foi registrado em levantamentos de institutos como Quaest e Datafolha.