Poder e Governo
Sob pressão após caso ‘Dark Horse’, Flávio Bolsonaro endurece discurso na segurança
Senador aposta na pauta penal como bandeira eleitoral e tenta se afastar da crise provocada por mensagens com Daniel Vorcaro
Com a campanha ainda sob pressão após a revelação de mensagens em que pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a realização do filme “Dark Horse”, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender, nesta terça-feira, o endurecimento da legislação penal.
Durante discurso na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), o parlamentar afirmou que uma eventual gestão sua adotaria medidas como a redução da maioridade penal, em debate na Câmara dos Deputados, e a castração química para condenados por crimes sexuais.
— Nós, juntos, vamos libertar o povo brasileiro desse poder paralelo desses narcotraficantes. Nós vamos reduzir a maioridade penal. A gente vai aprovar a castração química para estuprador. É assim que bandido vai ser tratado — declarou.
As falas integram um movimento de endurecimento do discurso de Flávio na área de segurança pública, uma das principais bandeiras de sua pré-campanha. O senador tem intensificado críticas ao governo federal e defendido medidas mais rígidas de combate ao crime organizado, estratégia que ganhou força após a revelação da relação com Vorcaro, financiador da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ofensiva também ocorre na esteira da articulação internacional liderada pelo parlamentar para que as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em maio, Flávio esteve em Washington para defender a medida junto a integrantes do governo do presidente norte-americano Donald Trump.
No discurso, o senador voltou a se referir às facções criminosas como “narcoterroristas” e afirmou que uma futura gestão de direita trataria o tema como prioridade.
— Nós vamos libertar cada baiano que hoje mora numa área dominada por esses narcoterroristas, porque esses marginais têm até o final do ano para meter o pé do Brasil. Senão, ou eles vão ser presos ou vão ser neutralizados. Vamos voltar a ter ordem na Bahia — disse.
Além da pauta de segurança pública, o senador fez acenos ao agronegócio, público predominante no evento realizado na Bahia. Flávio criticou o tratamento dado ao setor pelo governo federal e prometeu maior apoio aos produtores rurais em uma eventual volta do grupo bolsonarista ao poder.
— Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem ter um presidente que trata o agro como se fossem fascistas, como se fossem bandidos — afirmou.
O parlamentar também defendeu a ampliação do crédito rural e o fortalecimento dos interesses do setor.
— A partir de janeiro do ano que vem, o agro vai voltar para a Presidência da República. Tem que garantir financiamento barato para o agro. Tem que fazer de tudo para honrar cada um de vocês, que alimentam mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo — declarou.
Em tom de campanha, Flávio também buscou se aproximar do eleitorado baiano, em um estado governado pelo PT há anos e que historicamente registra forte apoio ao partido nas disputas nacionais. O senador atribuiu problemas sociais e de segurança aos governos petistas e afirmou que a direita pretende ampliar seu espaço político na região.
— Eu quero cada um de vocês do meu lado este ano e do lado desse time, dessa seleção que está aqui nesse palco hoje, para a gente libertar a Bahia e libertar o Brasil — disse.
Em outro momento, o senador afirmou que pretende “estender a mão” à população mais pobre do estado e associou o discurso de segurança pública a promessas de geração de oportunidades econômicas.
— Nós vamos libertar a Bahia e vamos estender a mão para o povo trabalhador — declarou.
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