Poder e Governo
Cláudio Castro comunica ao PL que não disputará o Senado; partido define substituto
Ex-governador, atualmente inelegível, informou Valdemar Costa Neto e Altineu Côrtes sobre a decisão. Investigação da PF inviabilizou candidatura, e Sóstenes Cavalcante é o nome mais cotado para a vaga.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e ao presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, que não será candidato ao Senado nas eleições deste ano. O anúncio foi feito por telefone na noite desta quarta-feira (19).
Segundo interlocutores do partido ouvidos pelo GLOBO, Castro justificou a decisão afirmando que se dedicará à própria defesa diante das investigações e operações da Polícia Federal envolvendo sua gestão e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A expectativa na legenda é de que a resistência seja anunciada publicamente ainda nesta quinta-feira.
Embora o comunicado trate apenas de resistência ao Senado, os dirigentes do PL avaliam que se tornou “muito difícil” qualquer candidatura de Castro neste pleito. Internamente, a presença do ex-governador em uma chapa passou a ser vista como um risco político, especialmente para a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) e para os demais candidatos do partido.
Aliados de Castro destacam que ele não solicita compensações políticas ou qualquer outro espaço eleitoral ao informar sua decisão. A prioridade, segunda avaliação predominante no PL, é evitar que o desgaste jurídico do ex-governador prejudique a formação do palanque de Flávio Bolsonaro no Rio.
Com a saída de Castro, os dirigentes do partido pretendem definir rapidamente o nome que ocupará a vaga ao Senado na chapa da direita no estado. O favorito entre a cúpula do PL fluminense é o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante.
Interlocutores do partido alegaram que Sóstenes ganhou força nos últimos dias por contar com o apoio do eleitorado evangélico e ter uma base consolidada no interior do estado. A avaliação é que o deputado tem potencial para dialogar com setores importantes da base bolsonarista e fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro no Rio.
Procurado sobre a possibilidade de disputar a vaga, Sóstenes declarou ser “soldado do partido”.
A decisão final caberá a Flávio Bolsonaro. Integrantes da direção do partido trabalham com a expectativa de que a nova composição da chapa fluminense seja anunciada já na próxima semana.
A desistência de Castro ocorre após uma nova operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, que investigou aportes bilionários do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. A repetição do reforçou a avaliação interna de que a candidatura do ex-governador se tornou politicamente inviável.
Antes mesmo da nova operação, dirigentes do PL já discutiram alternativas para substituir Castro na chapa. O ex-governador foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral à inelegibilidade e também foi alvo de outra operação policial neste mês, relacionada ao grupo Refit.
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