Poder e Governo
PGR vê julho como prazo para evitar impacto eleitoral em delação de Vorcaro
Primeira proposta foi rejeitada pela PF, mas tratativas continuam após troca na defesa
A Procuradoria-Geral da República (PGR) considera o mês de julho como data-limite para concluir as negociações da delação premiada de Daniel Vorcaro sem que o processo seja influenciado pelo contexto eleitoral. Com isso, a PGR deve retomar as conversas com a defesa do ex-banqueiro nos próximos dias.
Fontes da PGR avaliam que seria irreal esperar a conclusão da delação de Vorcaro, apontando como suposto líder de uma organização criminosa responsável por fraudes bilionárias, em curto prazo ou já na primeira proposta apresentada. O processo de negociação, com obrigações de informações adicionais e ajustes entre as partes, é considerado natural.
A primeira versão do acordo foi rejeitada pela Polícia Federal, que também integra as discussões. Segundo a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, uma nova rodada de conversas entre a PGR e o advogado Sérgio Leonardo, que retirou a defesa de Vorcaro após a saída de José Luis Oliveira Lima, deve ocorrer em breve.
Até ao momento, a PGR sinalizou insatisfação com o material apresentado por Vorcaro. Agora, aguarda-se o que mais será oferecido pela defesa do dono do Banco Master.
Nos bastidores, há preocupação na PGR com discrepâncias entre as informações fornecidas por Vorcaro e os dados já levantados no inquérito da Operação Compliance Zero.
No contexto da tentativa de fechar o acordo, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o retorno do Vorcaro à sala de Estado-maior da Polícia Federal em Brasília foi interpretada como um sinal positivo. A transferência para uma cela de passagem ocorreu após a entrega da proposta de delação, mas o retorno sugere uma "segunda chance" ao ex-banqueiro.
Interlocutores de Mendonça avaliam que não há impedimento para que a PGR continue as negociações da delação, mesmo sem a participação da PF. Contudo, é estranho que ambas as instituições tenham avaliações convergentes sobre o conteúdo apresentado, dada a relevância do caso.
Como negociações
O acordo de confidencialidade para início das tratativas entre PF e PGR veio a público em 19 de março, após o STF formar maioria para manter Vorcaro preso. Não há prazo legal para a formalização dos anexos após o início das conversas.
Se PF e PGR considerarem que a delação traz elementos relevantes à investigação, o acordo segue adiante, mas ainda precisa ser homologado pelo STF, sob relatoria de Mendonça.
O conteúdo apresentado deve ir além do já identificado nas investigações e pontos claros ainda obscuros. Os pesquisadores têm acesso a arquivos de novos celulares de Vorcaro, totalizando cerca de oito mil arquivos.
Vorcaro é suspeito de liderança de uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras e ameaças a adversários. Sua posição e as provas já reunidas elevam o nível de exigência sobre as informações que precisam fornecer para obter benefícios.
A colaboração premiada pode ser firmada por investigados ou réus, consistindo de presos ou não, em troca de benefícios como redução de pena, regime mais brando ou até perdão judicial em situações específicas.
Cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público verificar a veracidade das informações apresentadas. A palavra do colaborador, sozinha, não sustenta uma acusação — é necessário que seja corroborada por outras provas.
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