Poder e Governo

Indefinição em Minas preocupa PT, e aliados cobram atuação de Lula para destravar palanque

Sem Pacheco, partido discute possíveis apoios a Alexandre Kalil, Josué Gomes ou lançamento de candidatura própria

Agência O Globo - 28/05/2026
Indefinição em Minas preocupa PT, e aliados cobram atuação de Lula para destravar palanque
- Foto: © ANSA/EPA

A indefinição de uma candidatura ao governo de Minas Gerais que apoie a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem envolvidos integrantes do PT, que cobram atuação incisiva do presidente para destravar o palácio no estado, o segundo maior colégio eleitoral do país. Historicamente, o candidato que vence no estado costuma ser eleito à Presidência da República.

O plano de Lula era que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) disputava o governo do estado, mas o parlamentar tem afirmado que deverá deixar a vida pública a partir do próximo ano. Agora, aliados do petista cobram um avanço para Minas para os próximos dias e apostam na condução de Lula nesse processo. O impasse no estado tem sido planejado em reuniões do partido nas últimas semanas, e o processo tem sido capitaneado pelo presidente da sigla, Edinho Silva.

Integrantes da cúpula do partido confirmaram que hoje o cenário está incerto e que é preciso resolver esse palanque. Está à mesa a possibilidade de apoiar um nome do PT ou de um partido aliado. Nesse segundo caso, são lembrados os nomes do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar e que recentemente se filiou ao PSB.

Uma ala ainda trabalha para o PT com candidatura própria em Minas Gerais e vê o nome da ex-prefeita de Contagem (MG) Marília Campos como favorita ao posto. Marília é pré-candidata ao Senado e não se coloca como opção ao Palácio da Liberdade. Na avaliação desse grupo, se o nome de Josué não arrancar com bom percentual de votos, não há por que o PT abrir mão de lançamento um nome próprio em um estado estratégico como Minas.

Essa estratégia, no entanto, não encontra consenso na cúpula petista. O presidente do PT, Edinho Silva, ainda terá conversas com Alexandre Kalil e já falou com Josué Gomes nesta semana. Ele também está em contato com o diretório estadual do PT em Minas.

De acordo com relatos de pessoas que acompanham as conversas, Josué tem afirmado que está à disposição para contribuir na reeleição de Lula, mas não dá certeza sobre a candidatura. O impasse e demora por uma definição também gerou apreensão entre deputados petistas, que temem que essa demora possa prejudicar suas próprias candidaturas à Câmara. Nos bastidores, a avaliação é que caberá ao presidente bater o martelo em qual caminho será tomado no estado, mas ainda não há sinais de qual arranjo o petista escolherá.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) diz que Edinho deve conversar com todos os atores políticos do estado para buscar a melhor formação da chapa, mas ressalta que é importante que Lula me avance nesse processo.

— O quadro não está definido. Por isso, é importante que o presidente Lula cuide pessoalmente disso— diz o deputado.

Busca por 'palanque sólido'

Nesta semana, a cúpula do PT e membros da pré-campanha de Lula se reuniram para discutir a conjuntura eleitoral. Segundo dois participantes do encontro, foram destrinchados os cenários de cada estado. A avaliação é que Minas ainda é um “gargalo” mas que, no saldo geral, a situação hoje é mais favorável a Lula do que era na campanha de 2022. Isso porque há apoios mais consolidados do que no último pleito nos diferentes estados da federação.

O coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) minimiza os impasses no estado e diz que essa não é uma realidade apenas da campanha petista. Ele diz que a candidatura adversária de Flávio Bolsonaro também ainda não está consolidada e enfrenta dificuldades.

— Minas Gerais está desarrumado não só do lado de cá, mas também do lado de lá. Minas é um caso à parte no Brasil. Estamos conversando para buscar um palanque sólido para o presidente Lula que pode ser do PT ou fora do PT— afirmou o parlamentar.

Como o GLOBO mostrou, dirigentes do PL ofereceram aos republicanos a possibilidade de indicar o vice em uma eventual candidatura própria da legenda desenhada em torno do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Os Republicanos hoje têm como pré-candidato o senador Cleitinho Azevedo.