Poder e Governo
Alvo da PF por fraude no Rioprevidência nomeou como assessor colega de cela de lobista do Master
Ex-gerente de investimentos do órgão estadual, Fernanda Pereira empregou amigo do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como intermediário entre Vorcaro e Cláudio Castro
Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de investimentos do Rioprevidência e alvo de operação da Polícia Federal (PF), foi responsável por direcionar R$ 60 milhões do fundo de pensão do município de Itaguaí (RJ) para investimentos em títulos do Banco Master. Durante sua gestão à frente do fundo de Itaguaí, Fernanda nomeou como assessor o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, antigo companheiro de cela do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado pela PF como lobista do Master.
Segundo as investigações, os aportes de institutos de previdência no banco de Daniel Vorcaro foram intermediados por Rodrigues, que foi preso na Operação Lava-Jato em 2018 e tornou-se delator.
Em 2023, Fernanda atuou para habilitar o Banco Master a receber recursos do Rioprevidência. Em junho de 2024, deixou o órgão estadual para assumir a presidência do fundo de previdência de Itaguaí e, cinco dias depois, nomeou Jayme como assessor da presidência.
Jayme foi investigado na Lava-Jato em 2015, acusado de atuar como operador financeiro do doleiro Alberto Youssef. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em 2018, enquanto estava no presídio de Bangu 8, Jayme dividiu cela com Rodrigues, que mais tarde se tornaria o elo entre Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro, conforme aponta a PF.
A relação entre Jayme e Rodrigues foi detalhada pelo próprio Rodrigues em petição ao Superior Tribunal de Justiça. Ele relatou ter sido abordado de forma inadequada pelo advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho e, ao retornar à cela, contou que Jayme, de quem se tornara amigo, percebeu seu desconforto e o aconselhou sobre como proceder.
Antes de nomear Jayme no fundo de previdência de Itaguaí, Fernanda também atuou informalmente como advogada de Rodrigues em questões relacionadas à Lava-Jato.
Questionada pelo jornal O Globo sobre a nomeação de Jayme, Fernanda afirmou que "não havia qualquer impedimento jurídico que o desqualificasse para o exercício do cargo" e que a nomeação seguiu critérios de legalidade e compromisso ético, visando não perpetuar a exclusão de quem busca reconstruir a vida de forma honesta.
Nesta quarta-feira, a defesa de Fernanda declarou que ela "não teve qualquer ato decisório" na contratação de investimentos no Banco Master e que "não houve ingerência na decisão de fechar a aquisição de títulos". Sobre os aportes do fundo de Itaguaí, a defesa afirmou que houve resgate dos valores com pagamento dos juros combinados seis meses depois e disse desconhecer qualquer relação entre Fernanda e Ricardo Rodrigues.
Antes do episódio envolvendo o Rioprevidência, Rodrigues já havia sido investigado na CPI dos Correios em 2005. O Refer, fundo de previdência dos funcionários dos Correios, já teve como dirigente o advogado Deivis Marcon Antunes, que posteriormente se tornou presidente do Rioprevidência.
Deivis, também investigado por supostos prejuízos ao Refer na contratação de escritórios de advocacia e contabilidade, nomeou Fernanda como gerente de investimentos do Rioprevidência em 2023, logo após assumir o comando do órgão. Ele está preso desde fevereiro deste ano, suspeito de irregularidades na aplicação de recursos no Banco Master.
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