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Rioprevidência investiu R$ 1 bilhão em fundos ligados ao Master após alerta feito pelo TCE-RJ sobre irregularidades

Órgão de controle fez comunicado em maio de 2025, mas aportes persistiram

Agência O Globo - 28/05/2026
Rioprevidência investiu R$ 1 bilhão em fundos ligados ao Master após alerta feito pelo TCE-RJ sobre irregularidades
Rioprevidência - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Rioprevidência investiu mais de R$ 1 bilhão em fundos ligados ao Master mesmo após alerta feito pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) sobre irregularidades e a falta de critérios técnicos para a destinação. Sob investigação da Polícia Federal, os investimentos feitos pela autarquia em estruturas administradas pela instituição de Daniel Vorcaro chegaram a ter perdas de 90%, conforme mostrou o GLOBO.

De acordo com documentos do Rioprevidência e análises do TCE-RJ, os aportes realizados foram feitos em fundos recém-criados ou com risco de mercado incompatíveis com as diretrizes de prudência exigidas de um órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões.

Em 14 de maio de 2025, o plenário do TCE-RJ emitiu um alerta aos gestores do Rioprevidência, advertindo sobre a responsabilização pessoal caso dessem continuidade às alocações irregulares. Apesar da determinação, o acórdão do TCE de outubro do ano passado destacou que a autarquia continuou fazendo aportes. Os valores somam R$ 1,061 bilhão em fundos ligados ao grupo Master após esta data. Ao todo, incluindo o período anterior ao alerta, a autarquia aplicou R$ 3 bilhões em letras financeiras do Master e em fundos administrados pela instituição financeira.

"Como se vê, embora esta Corte tenha dado ciência ao diretor-presidente do Rioprevidência quanto às graves irregularidades apuradas no processo de alocação de recursos daquela autarquia previdenciária, e a despeito do alerta expresso direcionado aos gestores que participam de tais decisões — em especial aos integrantes do Comitê de Investimentos — por força da decisão plenária de 14/05/2025, a entidade continuou realizando investimentos sem a prudência exigida, o que evidencia uma gestão possivelmente irresponsável dos recursos do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social)", afirma o acórdão do TCE-RJ.

Segundo a investigação da Polícia Federal, as aplicações teriam ocorrido graças a um "alinhamento político" entre Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e o grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL). As transações feitas pelo Rioprevidência ocorreram sem o respaldo de análises técnicas obrigatórias e sem justificativas econômicas adequadas.

Um dos fundos que receberam aportes da autarquia foi o Texas I Fundo de Investimento em Ações, administrado pelo Master. O Rioprevidência aportou R$ 150 milhões ao todo no fundo ente junho e julho de 2025 e, em dezembro do mesmo ano, o valor do investimento tinha prejuízo de 90%, valendo R$ 15 milhões.

O fundo concentrava praticamente todo o seu patrimônio em apenas ações de uma companhia, a Ambipar. Já no momento do aporte pelo Rioprevidência, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigava o Texas I e outros fundos geridos pela Trustee (ligada ao Master) por suspeita de manipulação de mercado em relação às ações da Ambipar.

Outro fundo alvo de aportes milionários do Rioprevidência foi o Arena, com investimentos totais que superaram R$ 1,1 bilhão. O fundo concentrava a maior parte de sua carteira em títulos de renda fixa. Entretanto, apesar de ser um investimento atrelado a títulos seguros, a análise técnica do TCE-RJ apontou que, desde a sua criação, em dezembro de 2024, até agosto de 2025, o Arena apresentou rentabilidade média de apenas 4,05%, muito menos do que o CDI rendeu no mesmo período (9,31%) e inferior até mesmo à poupança (5,47%).

"Abaixo do esperado"

"Pela análise gráfica fica evidente que o fundo performou muito abaixo do esperado para renda fixa, rendendo menos, até mesmo que a poupança, quase que se igualando ao IPCA acumulado no período", afirmaram os técnicos do TCE-RJ no documento

O controle externo destacou a ausência de racionalidade econômica no investimento, visto que a autarquia pagou taxas de administração e gestão a terceiros para que o fundo apenas comprasse uma cesta de títulos públicos, operação que o Rioprevidência possui equipe técnica capacitada e estrutura para realizar diretamente, sem intermediáris.

No Arena, foram investidos R$ 560 milhões apenas após 14 de maio de 2025, data do alerta feito pelo TCE. No Texas I foram R$ 100 milhões. Além do Arena e do Texas I, outros dois fundos ligados ao Master foram alvo de aportes: o Horizonte e o Revolution. O primeiro, assim como o Arena, tinha investimentos em títulos do Tesouro Nacional. O Revolution recebeu R$ 401 milhões do estado mesmo após o alerta de maio do Tribunal.