Poder e Governo
Castro e Vorcaro tiveram ao menos oito encontros; PF aponta 'coincidência' com aportes do Rioprevidência no Master
Relatório da PF destaca alinhamento temporal entre reuniões presenciais e movimentações financeiras
A Polícia Federal mapeou ao menos oito encontros entre o ex-governador do Rio de Janeiro (PL) e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Parte dessas reuniões coincide com aportes financeiros do Rioprevidência na instituição.
Alinhamento político e temporal
No relatório que fundamentou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando mandados de busca e apreensão contra Castro, a PF destaca um jantar em Nova York, em maio de 2023, como o primeiro encontro presencial entre os dois. Outro encontro teria ocorrido em julho, antes do início dos aportes do instituto de previdência no banco, que começaram em novembro daquele ano.
Entre o primeiro e o segundo investimento no banco, houve ainda uma reunião em São Paulo. A partir desses encontros, os valores investidos se multiplicaram, chegando a aplicações de centenas de milhões de reais em operações pontuais.
Uma das principais correlações apontadas pela PF envolve eventos em maio de 2024. Castro e Vorcaro se reuniram duas vezes em Nova York — uma delas durante uma degustação de uísque avaliada em R$ 5,25 milhões. No dia seguinte, 15 de maio, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões no Master.
Antes disso, em março de 2024, mensagens indicam que Vorcaro esteve no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio. Embora Castro não residisse no local, ele utilizava o espaço para solenidades e reuniões estratégicas.
Segundo a PF, “coincidentemente”, Vorcaro questionou, no mesmo dia, um auxiliar sobre valores do Rio mantidos no Master, “o que sugere alinhamento temporal entre reuniões presenciais e tratativas financeiras”.
Os investigadores observaram ainda que, dias após a visita ao Laranjeiras, Vorcaro informou que retornaria ao Rio e perguntou se poderia “encontrar rapidamente” o então governador. Castro respondeu sugerindo o Palácio Guanabara como local e se dispôs a “atrasar um pouco” uma reunião para recebê-lo.
No total, a PF estima que cerca de R$ 3 bilhões saíram do instituto de aposentadoria dos servidores estaduais e foram investidos no banco de Vorcaro.
A defesa do ex-governador nega qualquer “relação pessoal indevida” com o banqueiro. O Banco Master afirma que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais. A PF, por sua vez, aponta um “almanaque de irregularidades” nos investimentos realizados pelo órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.
Relação após alertas
A investigação destaca que os investimentos do Rioprevidência no Master continuaram mesmo após alertas sobre o aumento do risco do banco de Vorcaro. Segundo a PF, a disposição do fundo previdenciário em manter os aportes “não tem relação com a lisura, estrutura do investimento ou confiança que o Banco Master tinha no mercado”.
Após questionamentos do deputado estadual Luiz Paulo ao Tribunal de Contas do Estado, o Master passou a diversificar os produtos oferecidos ao Rioprevidência, migrando de Letras Financeiras para fundos de investimento.
A defesa do ex-governador reitera que não houve “relação pessoal indevida” com Vorcaro. O Banco Master reforça que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.
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