Poder e Governo

Criadora do ChatGPT anuncia plano contra desinformação eleitoral com foco em Brasil e EUA

Gigante da Inteligência Artificial lança parcerias para resultados em tempo real e combate a deepfakes

Agência O Globo - 27/05/2026
Criadora do ChatGPT anuncia plano contra desinformação eleitoral com foco em Brasil e EUA
- Foto: Depositphotos

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, divulgou nesta quarta-feira (27) um plano estratégico para proteger a integridade das eleições de 2026 no Brasil e nos Estados Unidos. O anúncio ocorre em um contexto de crescente preocupação global com o impacto das ferramentas de Inteligência Artificial sobre processos democráticos, especialmente após a popularização dessas tecnologias entre eleitores.

A iniciativa surge após manifestações de órgãos e autoridades preocupados com o uso indevido da tecnologia para influenciar o debate eleitoral. No Brasil, partidos acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão do perfil Dona Maria, um avatar criado por IA que simula uma mulher de meia-idade crítica ao governo Lula, sob alegação de deepfake e propaganda eleitoral antecipada.

Especialistas e juristas apontam que a combinação de IA generativa com plataformas digitais de massa criou um ambiente eleitoral sem precedentes. Vídeos falsos de candidatos, mensagens fabricadas e campanhas automatizadas de desinformação circulam em escala e velocidade quase impossíveis de controlar manualmente.

A decisão da OpenAI de incluir explicitamente o Brasil ao lado dos EUA em seu plano para 2026 é significativa. Neste ano, milhões de brasileiros irão às urnas para eleger presidente, governadores, senadores e deputados. Nos Estados Unidos, serão escolhidos os 435 membros da Câmara dos Representantes e um terço do Senado nas eleições de meio de mandato.

"As ferramentas de rastreabilidade não são uma solução completa para a fraude eleitoral, mas são parte importante de uma estrutura de integridade mais ampla. Como a maioria das pessoas encontra conteúdo de IA em redes sociais e plataformas de mensagens, estamos colaborando com empresas de mídia social para implementar marcadores de rastreabilidade como critério relevante na recomendação e distribuição de conteúdo cívico", afirmou a OpenAI.

Principais medidas

Para enfrentar o desafio, a empresa anunciou uma parceria com a Associated Press para fornecer resultados das apurações em tempo real diretamente no ChatGPT. O objetivo é garantir que usuários recebam dados verificados, evitando versões distorcidas ou prematuras que circulam nas redes. Nos EUA, haverá também integração com a organização Democracy Works para informações sobre locais de votação, cadastro e prazos eleitorais.

A preocupação com eleições aumentou desde 2024, após o primeiro grande ciclo eleitoral com ampla adoção da IA generativa. Naquele ano, pesquisadores e jornalistas documentaram o uso de conteúdos falsos gerados por IA em disputas na Índia, Indonésia, México e EUA.

No Brasil, em 2022, uma onda de desinformação tomou conta das redes durante o período eleitoral. Naquele momento, as IAs generativas de grande escala ainda não eram amplamente utilizadas, o que eleva o alerta para 2026.

No pacote tecnológico, a OpenAI anunciou parceria com o Google para incorporar ao ChatGPT o sistema SynthID, que aplica uma marca d’água invisível a imagens geradas por IA, resistente até a capturas de tela e transformações.

O sistema será complementado pelo padrão “Coalition for Content Provenance and Authenticity” (C2PA), que utiliza metadados e assinaturas criptografadas para registrar a origem e o histórico de modificações de imagens. Além disso, a OpenAI lançou uma ferramenta pública de verificação para que qualquer pessoa possa checar se uma imagem foi criada por suas ferramentas.

A empresa também reiterou que não aceitará propaganda política em sua plataforma durante o ciclo eleitoral de 2026. Mantém ainda a proibição do uso do ChatGPT para criar campanhas de marketing eleitoral em escala, que poderiam simular movimentos populares orgânicos. Por outro lado, a OpenAI destaca que o uso legítimo da IA por campanhas para tarefas internas, como redação de resumos, tradução de materiais e planejamento administrativo, permanece permitido.

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