Poder e Governo

Cobertura de R$ 3,5 milhões onde mora Cláudio Castro foi adquirida por empresa de ex-secretário criada dois meses antes

Ex-governador foi alvo da PF em imóvel pertencente à J3 Real Estate, cujo sócio, Mauro Farias, foi secretário de Transformação Digital e atuou em empresa ligada à campanha de 2022.

Agência O Globo - 27/05/2026
Cobertura de R$ 3,5 milhões onde mora Cláudio Castro foi adquirida por empresa de ex-secretário criada dois meses antes
Cláudio Castro - Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

A cobertura onde o ex-governador Cláudio Castro (PL) reside há poucas semanas, alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira, pertence a uma empresa comandada por um ex-secretário de seu governo. O advogado Mauro Farias, ex-titular da Secretaria de Transformação Digital, abriu o CNPJ da J3 Real Estate Participações em abril de 2023 e, menos de dois meses depois, adquiriu o imóvel por R$ 3,5 milhões no condomínio Península, na Zona Sudoeste do Rio, conforme documentos cartoriais obtidos pelo GLOBO.

Escritura registrada após abertura da empresa

De acordo com a documentação, a escritura de compra do apartamento pela J3 Real Estate foi registrada em 16 de junho daquele ano, duas semanas após o pagamento dos impostos para transferência do imóvel. Além de Mauro Farias, a sociedade conta com o advogado Ronaldo Tormenta Pereira.

Mauro Farias não respondeu às tentativas de contato. O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Castro, afirmou desconhecer detalhes sobre o novo endereço do ex-governador:

— Desconheço quem seja o proprietário, sei apenas que o imóvel é proprietário, assim como o anterior, cujo contrato já foi rescindido. Não tenho maiores informações sobre esse aspecto.

Cláudio Castro também teve como secretário Rafael Thompson de Farias, irmão de Mauro, que chefiou a Secretaria de Governo. Ambos foram sócios da P5 Soluções, empresa apontada pelo Ministério Público Eleitoral como destinatária ilícita de recursos da campanha de Castro em 2022.

Suspeitas sobre recursos de campanha

Ao pedir a exclusão das contas de Castro na última eleição, o Ministério Público Eleitoral destacou que um fornecedor da campanha destinou R$ 2,6 milhões à P5 Soluções. Os investigadores classificaram a operação como "malversação nos gastos públicos limitados à campanha eleitoral (...) que, no entanto, foram utilizadas para outras finalidades espúrias e não comprovadas".

Segundo a defesa, Castro mudou-se para a cobertura ao longo deste mês. Por isso, na primeira operação da PF, em maio — relacionada às suspeitas no caso Refit —, ele estava em outro apartamento do mesmo condomínio, onde residiu nos últimos anos.

Após a operação desta terça-feira, Luchione reiterou que o imóvel é oferecido, mas não apresentou o contrato de locação. Ele informou ainda que, durante a operação do dia 15, Castro já havia mudado de endereço, mas mantinha pertencem a dois telefones:

— Já havia se mudado antes, só não tinha entregue o antigo porque ainda havia muitas caixas. O proprietário concedeu 30 dias para desocupação — explicou Luchione, que não sabia informar o valor dos aluguéis.

Imóvel de alto!!

Com piscina, área de lazer e mais de 300 metros quadrados, a cobertura está localizada no centro da Península, cercada pela Lagoa da Tijuca. Segundo plataformas imobiliárias, coberturas semelhantes no local são anunciadas entre R$ 12 mil e R$ 30 mil mensais, com condomínio variando de R$ 3,2 mil a R$ 6,2 mil.

Durante a gestão de Mauro Farias, a Secretaria de Transformação Digital recebeu orçamento superior a R$ 1 bilhão. Ele deixou a carga, a pedido, em dezembro de 2024.

Cláudio Castro foi alvo de mandato de busca e apreensão no âmbito do caso Master. Durante seu governo, o Rioprevidência relatou cerca de R$ 3,7 bilhões no banco de Daniel Vorcaro.