Poder e Governo

Entenda o que é a ‘challenge coin’, moeda que Flávio Bolsonaro ganhou de Trump durante visita

Tradicional entre militares americanos, peça também é distribuída por presidentes dos EUA em encontros diplomáticos; senador afirmou que foi um 'gesto raro'

Agência O Globo - 27/05/2026
Entenda o que é a ‘challenge coin’, moeda que Flávio Bolsonaro ganhou de Trump durante visita
Flávio Bolsonaro e Donald Trump - Foto: Reprodução / Instagram

A moeda exibida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira, despertou curiosidade nas redes sociais por se tratar de um objeto pouco conhecido fora do contexto americano: a chamada challenge coin. Tradicional no meio militar dos EUA, a peça simboliza reconhecimento e pertencimento, sendo distribuída por comandantes, autoridades e presidentes a aliados, convidados e integrantes das Forças Armadas.

O que representa a moeda

A moeda divulgada por Flávio traz o selo oficial da presidência dos Estados Unidos, com a águia americana ao centro e a inscrição “Seal of the President of the United States”. Exemplares desse tipo costumam ser entregues em encontros diplomáticos, cerimônias militares ou reuniões reservadas na Casa Branca. Após o encontro, Flávio afirmou em coletiva que o presente foi um “gesto raro e reservado a aliados”.

Entre os militares americanos, receber uma moeda diretamente de um comandante importante — ou do próprio presidente — é considerado uma honraria. A tradição teria origem na Primeira Guerra Mundial, quando pilotos americanos passaram a portar moedas de identificação de suas unidades.

Tradição e expansão

O costume se expandiu por diferentes setores do governo dos EUA. Hoje, além das moedas presidenciais, há versões próprias do Exército, Marinha, Corpo de Fuzileiros Navais e de agências federais como o FBI e a CIA.

Repercussão política

As moedas presidenciais ganharam destaque durante o governo Trump, que frequentemente as distribuía em encontros com militares, agentes de segurança, aliados conservadores e convidados em eventos na Casa Branca e em Mar-a-Lago. Algumas dessas moedas são itens de colecionador.

Encontro em meio a crise

O encontro entre Flávio e Trump ocorreu no Salão Oval, escritório principal do presidente americano. Segundo pessoas próximas ao senador, a agenda foi articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos EUA, e do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do bolsonarismo junto a republicanos americanos. Ambos participaram rapidamente do encontro para uma foto.

Entre os temas discutidos estiveram segurança pública, cooperação internacional no combate ao crime organizado e investimentos estratégicos. A Casa Branca demonstrou interesse em classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida vista com simpatia por Flávio, segundo interlocutores.

Contexto eleitoral

Nos bastidores da campanha, a imagem de Flávio ao lado de Trump é considerada uma das principais apostas da pré-candidatura, diante do desgaste provocado pelas revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao entorno de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Mensagens e áudios revelados pelo portal “Intercept Brasil” indicam que Flávio solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o projeto, que teria recebido R$ 61 milhões.

Aliados do senador avaliam que a foto com Trump reforça a associação internacional do filho de Jair Bolsonaro ao trumpismo, especialmente num momento de pressão interna na direita e discussões sobre alternativas presidenciais ao senador, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).