Poder e Governo
Campanha de Lula vê Flávio tentando ‘mudar de assunto’ após encontro com Trump e manterá ataques sobre elo com Vorcaro
PT vai atuar para não amplificar assunto, mas monitora repercussão
A pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou “mudar de assunto” ao se reunir com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentando minimizar o desgaste causado pela revelação da troca de mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A estratégia do PT é ignorar o encontro e manter o foco na relação entre o parlamentar e o banqueiro. Ainda assim, a repercussão do encontro está sendo monitorada.
A tendência é que o partido evite inflar a reunião, optando por não repercutir o tema nas redes sociais. Há três semanas, Lula também foi recebido por Trump, em uma agenda de três horas na Casa Branca, acompanhado de uma comitiva de ministros. Segundo Flávio, seu encontro com o americano durou 1h40.
Integrantes do núcleo da pré-campanha petista enxergam a agenda de Flávio na Casa Branca como “fake”, direcionada ao público mais fiel ao senador e com o objetivo de alimentar a narrativa bolsonarista nas redes. Esse grupo ressalta que não houve medidas efetivas, apenas uma foto entre o senador e Trump. Na avaliação dos petistas, é clara a estratégia de Flávio de desviar o foco da sua relação com Vorcaro.
Petistas também avaliam que Flávio errou ao incluir o irmão, Eduardo Bolsonaro — deputado federal cassado e que atuou a favor do tarifaço contra o Brasil — em uma foto com Trump. Para integrantes da campanha, essa atitude faz Flávio abandonar a tentativa de adotar um tom moderado.
Desde a divulgação das conversas entre o senador e o banqueiro, o PT entrou em modo de “guerra digital” contra Flávio Bolsonaro. A ofensiva será mantida, explorando as contradições do senador sobre sua relação com Vorcaro.
O encontro
Durante a reunião, Flávio tentou se contrapor a Lula e afirmou ter pedido a Trump que declare o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em entrevista após o encontro, Flávio declarou que a reunião representava um reconhecimento internacional de sua pré-candidatura à Presidência.
— Nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu no Salão Oval um pré-candidato brasileiro à Presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência. É reconhecimento de que existe hoje no Brasil uma alternativa séria, sólida e confiável ao desastre do atual governo — afirmou.
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