Poder e Governo

Zema não descarta aliança com Caiado e admite definição só na data-limite

Ex-governador de Minas já foi cotado para compor chapa do PL, mas se distanciou do bolsonarismo após críticas a Flávio por relação com Daniel Vorcaro

Agência O Globo - 26/05/2026
Zema não descarta aliança com Caiado e admite definição só na data-limite
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema - Foto: Reprodução / Instagram

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que não descarta uma possível aliança com Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, visando a construção de uma candidatura de direita alternativa ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi feita nesta terça-feira, durante evento com investidores em São Paulo, em meio às recentes críticas de Zema a Flávio pela relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Zema destacou que as conversas sobre composições políticas serão intensificadas apenas mais adiante, lembrando o prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral, em 15 de agosto, para registro de candidaturas e chapas. Segundo ele, o cenário pode sofrer alterações até lá, mas garantiu que manterá sua pré-candidatura até o fim.

“Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, afirmou Zema.

O ex-governador mineiro também ressaltou sua boa relação com Caiado, classificando Goiás e Minas como “estados quase gêmeos”. Questionado sobre a possibilidade de ser vice em uma chapa liderada por Caiado, Zema brincou ao sugerir o contrário.

“Eu gosto dele. No meu governo, criamos um consórcio com sete governadores e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio. Goiás e Minas são quase estados gêmeos, com uma semelhança muito grande”, disse.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, Zema apareceu com 3% das intenções de voto e Caiado com 4%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderou com 40% e Flávio Bolsonaro somou 31%. Anteriormente, Zema chegou a ser cogitado por integrantes do PL como possível vice de Flávio, mas sua relação com o bolsonarismo se deteriorou nas últimas semanas.

Os atritos começaram após críticas de Zema a Flávio, motivadas pela divulgação de áudios enviados a Daniel Vorcaro, do Banco Master. O embate também envolveu os irmãos do senador nas redes sociais. Em resposta a um comentário de Zema — que afirmou que votar em Flávio seria entregar a eleição para a esquerda —, Carlos Bolsonaro (PL-SC) publicou no X: “Está para conhecer sujeito mais baixo que esse.”

“Tentamos e, na primeira oportunidade, vem mais uma facada! E não me venham falar que isto é pontual, pois não é”, rebateu Carlos. “Este sujeito está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal. E os que o apoiam de forma velada ou se mantêm inertes, se mostram cada vez de forma mais cristalina o que pretendem fazer com o país”, completou. Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chamou Zema de “papel higiênico da esquerda” em publicação nas redes sociais.