Poder e Governo

Trocas na Rioprevidência, ausência de critérios e alertas ignorados: PF aponta indícios de como Castro operou para beneficiar Master

Relatório da Polícia Federal detalha manobras e irregularidades em investimentos bilionários da Rioprevidência no Banco Master, supostamente beneficiando interesses privados em detrimento das normas regulatórias.

Agência O Globo - 26/05/2026
Trocas na Rioprevidência, ausência de critérios e alertas ignorados: PF aponta indícios de como Castro operou para beneficiar Master
Cláudio Castro - Foto: Reprodução

Relatório da Polícia Federal revela uma série de eventos e acusações que sugerem a atuação do ex-governador Claudio Castro para viabilizar transportes bilionários da Rioprevidência no Banco Master. O processo teria começado com a substituição da cúpula da autarquia, realizada pouco antes dos investimentos.

De acordo com o pesquisador, o suposto “alinhamento político” entre Castro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro examinou a “nomeação estratégica” de pessoas para cargas-chave do Rioprevidência. O objetivo seria garantir que as decisões sobre o dinheiro dos juros fossem tomadas "em desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master".

A Polícia Federal também aponta “eventos e encontros custeados ou de interesse pessoal” envolvendo Castro, além de outras irregularidades que facilitaram os investimentos. Segundo a corporação, as etapas técnicas do processo decisório foram suprimidas e não houve apresentação de "justificativas formais idôneas" para os esportes.

As investigações destacam que os investimentos em Letras Financeiras e fundos criados ou utilizados pelo Master obedecem fora das diretrizes do regime de previdência e das exigências regulatórias.

O relatório menciona "alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas".

Ainda segundo a PF, as aplicações continuaram mesmo após alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis. O grupo investigado teria mantido "o fluxo de recursos públicos para operações temporárias como temerárias e desprovidas de justificativa técnica".

Os primeiros transportes da Rioprevidência no Banco Master ocorreram entre outubro de 2023 e julho de 2024, em Letras Financeiras, somando R$ 970 milhões. Posteriormente, devido a “entraves regulatórias”, a autarquia passou a investir em fundos estruturados pelo grupo de Vorcaro. Entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, os transportes nesses fundos ocorreram R$ 2,01 bilhões.

"Tudo em contexto de crescente dificuldade do banco, diante de aparente crise de liquidez, tornando essencial a captação de aplicações junto a RPPSs e de substituição de instrumentos por novos produtos financeiros", conclui a Polícia Federal.