Poder e Governo

Cláudio Castro alvo: Relembre o caso dos aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master

Investigação da PF contra Cláudio Castro ocorre após alertas do TCE sobre aplicações que chegaram a R$ 3 bilhões

Agência O Globo - 26/05/2026
Cláudio Castro alvo: Relembre o caso dos aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master
Cláudio Castro - Foto: Reprodução

As aplicações bilionárias do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master retornaram ao centro da crise política do Rio após a operação da Polícia Federal que teve o ex-governador Cláudio Castro como alvo nesta terça-feira.

A perigosada

Cláudio Castro

O Rioprevidência administra os recursos que pagam aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais. A polêmica iniciada após técnicos do TCE identificaram uma concentração considerada excessiva de recursos aplicados no Banco Master. Inicialmente, o fundo admitia cerca de R$ 960 milhões investidos em letras financeiras da instituição — títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Com o avanço das apurações, porém, o tribunal passou a apontar uma exposição muito maior. Em monitoramento realizado entre maio e julho de 2025, técnicos do TCE concluíram que o valor total exposto a títulos emitidos ou fundos administrados pela Master chegou a R$ 2,6 bilhões, mais de 25% do patrimônio do Rioprevidência. Agora, segundo informações da PF, o montante investigado já chega a R$ 3 bilhões.

A área técnica do TCE afirmou ter encontradas “graves irregularidades” nas operações. Em maio de 2025, a Corte fez um alerta formal aos gestores do Rioprevidência, afirmando que novas aplicações poderiam resultar na “assunção integral do risco de possíveis irregularidades” pelos responsáveis ​​pelo fundo. Apesar disso, o tribunal apontou que cerca de R$ 1 bilhão teria sido aportado posteriormente em aplicações ligadas ao Banco Master.

Para a relatora do caso no TCE, a conselheira Mariana Montebello Willeman, os novos investimentos indicaram “agravamento do cenário” e uma “gestão possivelmente irresponsável dos recursos”. Em decisão unânime, os conselheiros determinaram que o Rioprevidência deixaria de realizar novos investimentos em instrumentos financeiros emitidos, administrados ou geridos por empresas do Banco Master e por instituições que não atendessem aos princípios de segurança e prudência financeira.

O tribunal também decidiu intimidar o então governador Cláudio Castro para avaliar uma possível intervenção no fundo previdenciário estadual, diante do risco apontado pelos técnicos.

O Rioprevidência sempre negou irregularidades. Em nota divulgada à época, a autarquia afirmou que não realizou novas aplicações no Banco Master desde abril de 2024 e sustentou que cumpriu integralmente as determinações do TCE. O órgão também contestou os números apresentados pela Corte, alegando que o valor efetivamente investido foi de aproximadamente R$ 960 milhões e que as operações permaneceram “regulares e adimplentes”.

A investigação teve origem em uma denúncia apresentada pelo deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha. Em audiência pública realizada em novembro de 2024, o então presidente do Rioprevidência, Deivis Antunes, confirmou a existência das aplicações no Banco Master.

Na sequência, uma representação aberta pela Secretaria-Geral de Controle Externo do TCE sustenta que os investimentos foram feitos sem autorização do conselho de administração do fundo e com justificativas consideradas inconsistentes.

Durante depoimento no tribunal, o ex-diretor de investimentos do Rioprevidência, Euchério Lerner Rodrigues, afirmou que o fundo decidiu ampliar aplicações em bancos menores a partir de 2023 para diversificar os investimentos, até então concentrados em grandes instituições financeiras.

Segundo ele, dois fatores pesaram na escolha do Banco Master: a rentabilidade das letras financeiras, que superava 130% do CDI, e a relação comercial da instituição com o governo estadual, já que o banco operava crédito consignado para servidores ativos e aposentados do estado.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal cumpriu 10 mandatos de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por ordem do ministro André Mendonça. Até o momento, a PF não informou quais crimes são investigados nem detalhou os alvos das buscas.