Poder e Governo

SP: Kim Kataguiri e Paulo Serra querem coligação e piso nas pesquisas para confirmar candidaturas ao governo

Destino dos pré-candidatos ao governo do estado interessa diretamente às campanhas de Tarcísio e Haddad, que lideram as sondagens atuais

Agência O Globo - 24/05/2026
SP: Kim Kataguiri e Paulo Serra querem coligação e piso nas pesquisas para confirmar candidaturas ao governo
Kim Kataguiri - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Dois nomes que correm por fora na eleição ao governo de São Paulo, o ex-prefeito de Santo André, (PSDB), e o deputado federal (Missão) decretaram condições para levarem adiante as candidaturas contra (Republicanos) e (PT). Ambos aparecem com 5% das intenções de voto na pesquisa mais recente da Quaest (29/abr.), contra 38% do atual governador e 26% do ex-ministro da Fazenda.

Avaliação do governo:

Aceno a governador em exercício no Rio:

O destino de Serra e Kataguiri interessa diretamente às campanhas dos favoritos. Na leitura de momento, nomes alternativos aumentam as chances de a disputa se decidir apenas em segundo turno, desde que demonstrem viabilidade. Tarcísio e Haddad aglutinaram siglas aliadas nos seus respectivos campos políticos, eliminando a concorrência, o que pode tornar essa disputa uma das menos fragmentadas desde 1990.

O tucano, que controla o diretório estadual do partido, condiciona os planos a uma coligação com pelo menos mais duas legendas representativas, sem contar o Cidadania, com o qual o PSDB está federado. As principais apostas passam por Solidariedade-PRD, Podemos e Avante, mas existiriam conversas em andamento também com os partidos “nanicos” DC, Mobiliza e Agir, com menor estrutura e acesso a recursos eleitorais.

Nesta semana, Serra embarca para Brasília para conversar pessoalmente com dois dirigentes partidários. Ele não adianta os nomes, mas justifica essa aproximação pela necessidade de ampliar o tempo de propaganda gratuita em rádio e TV, além da quantidade de candidatos a deputado comprometidos com o projeto e dispostos a construir pontes no interior, distribuir santinhos e fazer campanha nas ruas e nas redes sociais. Nessas condições, ele calcula, 300 deputados estariam à disposição.

— A regra eleitoral hoje quase nos obriga a ter alianças. Vemos espaço para uma candidatura independente em São Paulo, longe da polarização, mas precisamos de capilaridade, de pessoas que façam essa mensagem chegar para que as pessoas fiquem conectadas. Estamos tentando aumentar o nosso exército — disse.

A estratégia de concorrer ao governo conta com a simpatia do presidente nacional do PSDB, o deputado mineiro Aécio Neves. Ela faria sentido, na avaliação interna, como um reposicionamento do partido, após uma série de reveses desde que o bolsonarismo passou a rivalizar com o PT.

Tarcísio, porém, demonstra interesse em consolidar o apoio, de modo a ampliar as suas chances de resolver precocemente o embate com Haddad. A campanha já trabalha com a previsão de desistência de Serra nos próximos dias, ainda que desconverse sobre movimentos próprios nesse sentido. Na semana passada, o governador cumpriu agendas na região do ABC e tirou fotos ao lado de prefeitos da região. A maioria deve apoiá-lo nas urnas.

— Lá atrás, o PSDB pediu ajuda para montar a chapa, e a gente abriu as portas para ajudar. Acho que o partido tem uma história relevante com o estado de São Paulo. Respeito a intenção do Paulo de ser candidato, ele tem todo o direito e a gente também não escolhe adversário — afirmou o governador durante inauguração de um centro médico em Diadema.

Kataguiri, por sua vez, teria como tarefa impulsionar a votação proporcional do Missão, partido recém criado a partir da militância do Movimento Brasil Livre (MBL). O grupo, de perfil jovem, ganhou notoriedade a partir dos protestos contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e hoje faz oposição também ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu núcleo político. Na estreia, terá o ativista Renan Santos como candidato a presidente.

— A minha candidatura não é certa, mas provável. O que temos 100% de chance é de apresentar uma alternativa para o estado. Se não for a minha, será outra. No final de junho, vamos tomar a decisão ponderando duas coisas: o cálculo de quantos votos eu tiro da chapa e quanto consigo resgatar falando na TV e a projeção nas pesquisas — afirma Kataguiri.

Em caso de derrota, o deputado de segundo mandato perderia a cadeira na Câmara. Em entrevista à Jovem Pan, no fim de abril, Kataguiri afirmou que “provavelmente” será candidato ao governo caso atinja 8% das intenções de voto nas pesquisas até junho. Ele reiterou a informação ao GLOBO, com uma meta um pouco maior: “8% a 10%” antes do prazo para as convenções partidárias. Esse percentual está ligado à estimativa de ganhos do partido com a visibilidade do pleito majoritário.

As siglas precisaram de 333 mil votos para garantir uma cadeira de deputado federal na eleição passada em São Paulo — sem contar as “sobras”, cuja distribuição exige 80% desse quociente. Kataguiri fez, sozinho, 295 mil votos, sendo o oitavo mais votado em todo o estado. Entretanto, no meio político, existe um dogma de que as candidaturas fortes ao Executivo ajudam a construir bancadas, estratégia em pauta no MBL. A diferença estaria, principalmente, no voto em legenda, quando o eleitor digita apenas seus dois números ao invés de apoiar um candidato específico.

Uma aliança entre Kataguiri e Serra também não está fora de cogitação, segundo ambos. No dia seguinte à divulgação da pesquisa Quaest, os dois se encontraram para discutir o cenário eleitoral. O ex-prefeito de Santo André afirma que um projeto conjunto “daria uma cara mais consolidada de uma alternativa, de uma chamada terceira via”, pois partiria de um patamar imediato de 10% das intenções de voto, somando os resultados da dupla. Kataguiri fala em acordo também ao Senado.