Poder e Governo
Alerj rebate Lula após presidente associar parlamento fluminense a milicianos
Presidente afirmou que, se Assembleia escolhesse novo governador do Rio, 'viria um miliciano'; em nota, Casa diz ser 'inaceitável' criminalizar deputados e instituições e exige respeito
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) reagiu neste sábado (8) às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sugeriu que, caso a Casa fosse responsável por escolher o novo governador do estado, poderia haver a eleição de um miliciano. Em nota oficial, a Alerj, presidida pelo deputado Rodrigo Bacellar (PL), considerou “inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar” seus integrantes e cobrou respeito às instituições, inclusive por parte do presidente da República.
Contexto político:
A fala de Lula foi motivada pela tentativa do grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL) de promover uma eleição indireta para definir seu sucessor, hipótese que acabou sendo barrada pela Justiça. Rodrigo Bacellar é o nome apoiado pela família Bolsonaro para concorrer ao governo do estado em outubro, em oposição ao ex-prefeito Eduardo Paes, aliado de Lula.
Declaração do presidente:
Durante agenda na Fiocruz, na Zona Norte do Rio, Lula afirmou ao governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que “não é possível que uma cidade como o Rio tenha territórios tomados pela milícia” e declarou esperar que ele trabalhe para “prender políticos que fazem parte de uma milícia organizada”.
Resposta da Alerj:
Na nota, a Alerj ressaltou que o Rio de Janeiro enfrenta “desafios históricos na segurança pública”, relacionados “à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país”.
O texto conclui afirmando que o momento exige “união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições”. A Assembleia reforçou que seguirá trabalhando “pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro”.
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