Poder e Governo
PT e PL pregam cautela após Lula abrir vantagem sobre Flávio Bolsonaro em pesquisa Datafolha
Rejeição a Flávio sobe após caso ‘Dark horse’; senador saiu de empate com Lula para uma diferença de quatro pontos na simulação de segundo turno
Pesquisa Datafolha divulgada ontem dá a dimensão do impacto do caso “Dark Horse” na pré-candidatura de (PL) à Presidência da República, apesar de os dois lados da disputa adotarem cautela em relação aos sentidos do levantamento. Em uma semana, o senador saiu de empate com o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) na simulação de segundo turno para uma diferença de quatro pontos. No primeiro turno, o petista abriu vantagem de nove pontos. O senador também encabeça o ranking de exclusão, que antes tinha o petista na ponta.
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Após Caiado marcar 4% em pesquisa:
No caso do embate direto com Lula no segundo turno, o cenário era de empate em 45% na semana passada, e agora o postulante à reeleição tem 47%, contra 43% do senador — a maior vantagem do ano na série histórica do instituto. O resultado, apesar de um baque para o filho de (PL), ainda configura empate técnico no limite, já que a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Votos em branco ou nulos somam 9%, e os indecisos são 2%.
Flávio viu as intenções de voto no primeiro turno caírem de forma mais brusca. Antes com 35%, aparece agora com 31%, também o menor percentual do ano. O presidente liderou com 40%, dois a mais que na semana passada, quando o Datafolha divulgou uma pesquisa cujas entrevistas tinham sido feitas antes da revelação das conversas de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Mestre, em que pedia dinheiro para financiar a cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A diferença, portanto, é triplicada de três para nove pontos em poucos dias.
Candidatura mantida
Jair Bolsonaro e o PL descartaram a candidatura do senador por outro, mas o prazo estipulado para tomar uma decisão é o início de junho, conforme noticiou O GLOBO no início da semana. O Datafolha, inclusive, voltou a testar cenários com a presença da ex-primeira-dama (PL), considerada uma opção caso Flávio não resista. Ela marca 43% contra 48% de Lula no segundo turno, um resultado parecido com o do enteado. No primeiro, Michelle pontua bem abaixo, 22%, e o grupo petista 41% dos entrevistados.
Outro dado que ajuda a medir o prejuízo do filho de Bolsonaro é a exclusão. Na pesquisa anterior, o nome dele foi repelido por 43%. Agora, o percentual é de 46%, o mesmo que se registrou em abril, antes de conseguir uma melhoria.
Lula, por sua vez, recuperou dois pontos e é rejeitado hoje por 45%. Trata-se de empate técnico, mas, numericamente, Flávio passou a encabeçar o ranking negativo.
Michelle tem 31% de exclusão e aparece em terceiro. Os demais candidatos, mais desconhecidos do eleitorado, não rompem a barreira dos 20%.
A petição de aliados com Flávio se deu não só pelo mérito das revelações, mas também pelo fato do senador ter garantido diversas vezes que não havia nada que pudesse aparecer sobre ele no caso Mestre. Os áudios e o encontro com o banqueiro quando ele já usava tornozeleira eletrônica, no ano passado, estressaram o próprio PL, partidos do Centrão e empresários que simpatizavam com a candidatura.
A despeito da piora significativa de Flávio, os demais candidatos de direita sofrem para roubar votos do representante da família Bolsonaro. (PSD) e Renan Santos (Missão) oscilaram um ponto para cima cada e marcaram, respectivamente, 4% e 3%. Já (Novo), que fez críticas duras a Flávio na esteira do caso “Dark Horse”, manteve os mesmos 3%. Samara Martins (UP) também alcançou 3%.
Pontuaram ainda Augusto Cury (Avante), com 2%; (Mobiliza), com 1%; e Rui Costa Pimenta (PCO), com 1%. (DC) marcou 1%, mas ele foi afastado da disputa pelo seu partido, que agora pretende indicar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ontem, quando saiu a pesquisa, a leitura no entorno de Flávio foi de que o episódio produziria algum desgaste momentâneo, mas não a ponto de inviabilizar o projeto. A avaliação majoritária é de que o dano é “recuperável” e de que, pelo que veio a público até agora, não há motivo para substituir o candidato da disputa.
— Para quem esperou uma tragédia, parece que ela não veio — declarou o senador Marcos Rogério (PL-RO), que participou ontem de um evento do Grupo Esfera, em Guarujá (SP).
Mesmo depois dos dados positivos para Lula, a pré-campanha petista vê com cautela a redução da intenção de votos em Flávio e acredita que parte dos candidatos que agora estão impactados pelas revelações do caso “Dark Horse” ainda podem retornar ao senador até o fim da disputa.
A avaliação é de que o voto que sai de Flávio neste momento não vai para nenhum lugar — fica na margem dos indecisos. É também um voto que, até o dia do sufrágio, poderá mudar de abstenção.
Petistas estão convencidos de que é preciso mais trabalhar para conquistar um eleitor que cogitou votar em Flávio e agora recua. Na avaliação da campanha, trata-se de um voto naturalmente “anti-Lula” e que não terá adesão automática ao petista.
Por isso, os governantes decidiram que o senador pode retomar a fuga nas próximas semanas e conquistar parte desse eleitorado, a depender da narrativa que for construída sobre as relações com Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”.
Mesmo que o caso da cinebiografia de Jair Bolsonaro tenha ampliado a exclusão de Flávio, o contingente de eleições que afirma não votar em Lula ainda assustou a campanha do presidente.
O governo lançou um pacote de seguro com foco nas eleições: liberado da taxa das blusinhas, crédito para compra de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo e o novo Desenrola 2.0 para famílias individualizadas. Lula mantém ainda uma agenda intensa de entregas de equipamentos de saúde e inaugurações pelo país.
Em paralelo, o PT montou uma artilharia digital para atacar Flávio. Desde a divulgação das mensagens, o partido entrou em modo de guerra contra o senador. A estratégia vem sendo coordenada pela jornalista Nicole Briones na sede nacional do partido, em Brasília. Ela foi a responsável pelas redes sociais de Lula enquanto o petista esteve preso em Curitiba durante a operação Lava-Jato.
Cenário
Na visão do cientista político Jairo Pimentel, professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, os índices elevados de infecção seguem como algo decisivo para a eleição.
— O caso afetou a intenção de voto, mas ainda não transformou a inclusão de Flávio em algo estruturalmente maior que a de Lula. Isso é decisivo porque a eleição continua organizada em torno de dois pólos de alta exclusão — observa. — Minha leitura geral: o “azarão” interrompeu a trajetória ascendente de Flávio e devolveu alguma vantagem a Lula, mas não resolveu a eleição.
O Datafolha fez 2.004 entrevistas entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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