Poder e Governo

Mendonça autoriza retorno de Vorcaro a cela especial na sede da PF em Brasília

Defesa do banqueiro vinha reclamando das condições do cárcere comum

Agência O Globo - 22/05/2026
Mendonça autoriza retorno de Vorcaro a cela especial na sede da PF em Brasília
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça - Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou nesta sexta-feira (7) o retorno do banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A decisão atendeu a um pedido da defesa do empresário, que vinha relatando insatisfação com as condições da cela comum para onde Vorcaro havia sido transferido nos últimos dias.

Vorcaro alegou dificuldades relacionadas ao espaço limitado e à falta de higiene na cela comum. A autorização para que ele retorne à cela especial é vista como uma nova oportunidade para que o ex-dono do Banco Master avance nas negociações de colaboração com as autoridades.

Os investigadores apontam que, até o momento, os elementos apresentados pela defesa de Vorcaro foram considerados insuficientes diante do material robusto já reunido pela PF.

Nesta sexta-feira, o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou oficialmente a defesa de Vorcaro. A saída ocorre em meio ao desgaste nas negociações para um possível acordo de delação premiada e à resistência do empresário em apresentar fatos decididos considerados relevantes para a investigação.

Segundo o advogado, a decisão foi tomada em “comum acordo”.

A movimentação ocorre após a PF rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Assim como a Polícia Federal, a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) também não se mostrou satisfatória com o material entregue, mas concedeu uma nova chance para que sejam apresentadas provas e relatos sobre o esquema de fraudes bilionárias — o que aumentou a pressão sobre a equipe de defesa do banqueiro.

O pesquisador acredita que o conteúdo extraído dos celulares dos investigados, incluindo o próprio Vorcaro, possui mais informações do que as incluídas no rascunho de delação apresentado até agora.

Enquanto tentava fechar o acordo, Vorcaro viu o cerco se fechar também sobre seus familiares. Seu pai, o empresário Henrique Vorcaro, está preso em uma penitenciária de Minas Gerais desde 14 de maio, sendo investigado como um dos "operadores financeiros" do grupo conhecido como "A Turma". Segundo a PF, o grupo seria responsável por articular e financiar atos de intimidação contra desafetos de Vorcaro.

A proteção aos familiares era um dos pontos que Vorcaro buscava negociar no acordo de colaboração com a PGR e a PF.

Juca, criminalista de destaque no meio jurídico, já atuou em casos de grande repercussão, como a Operação Lava Jato, defendendo o empresário Léo Pinheiro, da OAS, e na ação da trama golpista, ao atuar na defesa do general Walter Braga Netto.