Poder e Governo

Mendonça autoriza retorno de Vorcaro a cela especial na sede da PF em Brasília

Defesa do banqueiro vinha reclamando das condições do cárcere comum

Agência O Globo - 22/05/2026
Mendonça autoriza retorno de Vorcaro a cela especial na sede da PF em Brasília
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: © flickr.com / Fellipe Sampaio/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, nesta sexta-feira, o retorno do banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A decisão atende a um pedido da defesa do empresário, que vinha relatando problemas nas condições da cela comum para onde Vorcaro havia sido transferido recentemente.

Segundo a defesa, o banqueiro enfrentava dificuldades devido ao espaço reduzido e à falta de higiene adequada no cárcere comum. Com a nova autorização, Vorcaro volta a ocupar uma cela especial, medida vista como uma oportunidade para avançar nas negociações de colaboração com as autoridades.

De acordo com investigadores, até o momento, os elementos apresentados pela defesa de Vorcaro foram considerados insuficientes diante do material já reunido pela Polícia Federal.

Também nesta sexta-feira, o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou oficialmente a defesa do banqueiro. A saída ocorre em meio ao desgaste nas negociações para um possível acordo de delação premiada e à resistência de Vorcaro em apresentar fatos inéditos considerados relevantes para a investigação.

Segundo o defensor, a decisão foi tomada em “comum acordo”.

O movimento acontece após a PF rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Assim como a Polícia Federal, a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) também não aprovou o material entregue, mas concedeu uma nova chance para a apresentação de provas e relatos sobre o esquema de fraudes bilionárias, aumentando a pressão sobre a equipe de defesa do banqueiro.

Os investigadores avaliam que o material extraído dos celulares dos investigados, inclusive do próprio Vorcaro, contém informações mais detalhadas do que as listadas no rascunho de delação apresentado até agora.

Durante as tentativas de fechar o acordo, Vorcaro ainda viu o cerco se fechar sobre seus familiares. Seu pai, o empresário Henrique Vorcaro, está preso em uma penitenciária de Minas Gerais desde 14 de maio, sendo investigado como um dos “operadores financeiros” do grupo conhecido como “A Turma”, suspeito de articular e financiar atos de intimidação contra desafetos do banqueiro, segundo a PF.

A proteção aos familiares era um dos pontos centrais do acordo de colaboração que Vorcaro buscava negociar com a PGR e a Polícia Federal.

Advogado criminalista de destaque, Juca já atuou em casos de grande repercussão, como a Operação Lava Jato — defendendo o empresário Léo Pinheiro, da OAS — e na ação da trama golpista, ao representar o general Walter Braga Netto.