Poder e Governo
Campanhas de Lula e Flávio veem rejeição de delação de Vorcaro pela PF como alívio momentâneo, mas esperam novos desdobramentos até a eleição
Interlocutores consideram possibilidade de 'virar a página' do caso Master, mas mantêm cautela quanto a impactos futuros
Aliados da coordenação da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a eliminação, pela Polícia Federal, da delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro reduz os impactos imediatos do caso Master. No entanto, acredito que o escândalo seguirá influenciando a corrida eleitoral. Avaliação semelhante é feita no entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista, que vê o fim das negociações como uma oportunidade de "virar a página" após as revelações sobre sua relação com Vorcaro.
Ambos os lados esperam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) também rejeite o acordo com Vorcaro. Ainda assim, a campanha de Lula considera que o caso pode tumultuar o ambiente político e o processo eleitoral, embora o impacto de eventuais revelações do ex-banqueiro seja menor do que se o acordo fosse homologado.
Entre pessoas próximas de Lula, existe o recebimento de que Vorcaro tenta, em negociação com a PGR, envolver o PT no escândalo. Segundo petistas, diante de sua situação jurídica, o ex-banqueiro pode tentar associar o maior número possível de atores políticos ao caso Master.
Nos últimos meses, tanto o governo quanto Lula têm buscado se desvincular do escândalo. Antes das revelações sobre os vínculos de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, a pesquisa Quaest divulgada no dia 13 mostrou que 46% dos entrevistados acreditam que o caso do banco Master afetou qualidades, de modo semelhante, à imagem do governo Lula, do governo Bolsonaro, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional e do Banco Central.
Apreensão permanente
No grupo de Flávio, interlocutores do PL admitiram que, embora não houvesse certeza sobre o que Vorcaro poderia revelar, a mera possibilidade de um acordo mantinha um estado de apreensão constante.
Nos bastidores, avaliamos que o maior risco não era necessariamente uma citação direta ao senador, mas a permanência do caso Vorcaro no centro do noticiário, com sucessivas revelações, novos personagens e possíveis frentes paralelas de investigação.
A leitura predominante nas campanhas é que a exclusão da proposta pela PF reduz parcialmente o risco de escalada imediata da crise e diminui a chance de o tema apresentar novos capítulos.
O episódio ocorre enquanto o PL discute, de forma reservada, os impactos políticos da crise sobre as previsões eleitorais de Flávio. Como mostrou O Globo, dirigentes do partido trabalham com um prazo informal de cerca de 15 dias para medir o desgaste e avaliar se a candidatura resistirá à pressão do caso Vorcaro.
Nesse contexto, aumentaram conversas sobre alternativas dentro da direita, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Paralelamente, setores do mercado financeiro, lideranças evangélicas e membros do Centrão passaram a adotar postura cautelosa em relação ao senador.
Publicamente, porém, aliados minimizam o episódio. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), negou qualquer sentimento de rompimento:
— O Vorcaro tem que falar tudo o que sabe e o que fez. Não faz diferença nenhuma para o Flávio. Nós queremos a verdade — afirmou.
Mais lidas
-
1MACEIÓ
Servidores cobram JHC por caso Banco Master e perdas salariais
-
2TÊNIS INTERNACIONAL
Sinner pode quebrar dois recordes históricos se vencer Ruud na final do Masters 1000 de Roma
-
3INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Aeroporto de Penedo está pronto e aguarda autorização para primeiros voos, afirma Paulo Dantas
-
4CONFLITO FUNDIÁRIO
SSP/AL recebe vereador e representantes de grupo envolvido em disputa de terras em Palmeira dos Índios
-
5TÊNIS
Semifinal entre Sinner e Medvedev é cancelada por mau tempo em Roma