Poder e Governo

Cúpula do PL vê urgência de segurar palanques e garantir eleição das bancadas em meio à crise com Flávio

Dirigentes e parlamentares passaram a priorizar preservação da força institucional do partido

Agência O Globo - 22/05/2026
Cúpula do PL vê urgência de segurar palanques e garantir eleição das bancadas em meio à crise com Flávio
Flávio Bolsonaro - Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

A escalada da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, começou a provocar uma mudança paulatina nas prioridades políticas do PL. Nos bastidores da Câmara e do Senado, parlamentares e dirigentes da legenda passaram a demonstração de preocupação crescente não apenas com os efeitos do caso sobre a candidatura presidencial do senador, mas principalmente com o impacto que o desgaste pode provocar sobre a força institucional do partido nas eleições deste ano.

Segundo relatos feitos ao GLOBO, membros da cúpula do PL já admitiram reservadamente que a principal prioridade da legenda neste momento passou a ser preservar palácios estaduais competitivos e garantir a eleição de grandes bancadas na Câmara e no Senado. O sonho dos dirigentes é alcançar a marca de 30 senadores e 120 deputados.

A avaliação interna é que o partido precisa evitar que a crise envolva Flávio Acabe contaminando candidaturas provisórias e alianças estratégicas regionais para a manutenção da hegemonia do PL dentro da direita.

Interlocutores da legenda afirmam reservadamente que a preocupação se intensificou à medida que os aliados estaduais passaram a recalcular o custo eleitoral de vincular suas campanhas locais à candidatura presidencial de Flávio. O temor é que o desgaste nacional provocado pelo caso Master comprometeu justamente um dos principais ativos políticos do partido, que é sua capacidade de eleger grandes bancadas no Congresso.

Atualmente, o PL tem a bancada maior na Câmara e no Senado, com 97 deputados e 16 senadores. O tamanho das bancadas no Congresso é considerado central para a distribuição de recursos do fundo eleitoral, tempo de propaganda e manutenção da força institucional das legendas no cenário nacional.

Nos bastidores, os parlamentares do PL admitiram que preservar a musculatura parlamentar passou a ser tratado como prioridade estratégica diante das incertezas envolvendo o cenário presidencial.

A mudança de clima ocorre num momento em que os aliados de Flávio já passaram a admitir reservadamente a possibilidade de rever apoio à candidatura presidencial do senador caso surjam novas revelações envolvendo sua relação com Vorcaro.

Embora membros do partido sigam defendendo publicamente que Flávio permaneça como candidato ao Planalto, o ambiente interno se tornou marcado por cautela, desconfiança e preocupação com novos desdobramentos da crise.

Interlocutores relatam que o humor nas bancadas mudou nas últimas semanas. Parlamentares passaram a demonstrar preocupação com o risco de que o desgaste nacional da crise possa contaminar disputas locais e forneceris em estados considerados estratégicos para o bolsonarismo.

Nossos bastidores, integrantes do Centrão e do próprio PL também passaram a tratar com mais prudência as negociações para formação de palácios estaduais. A avaliação é que ainda há tempo até as convenções partidárias de agosto e que o cenário presidencial pode sofrer mudanças importantes até lá.

A preocupação aumentou após o avanço das revelações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde que o Intercept Brasil divulgou áudios, mensagens e documentos envolvendo negociações entre Flávio e Vorcaro, aliados passaram a demonstrar preocupação crescente com o potencial de contaminação política do caso.

Parlamentares afirmaram que o problema deixou de ser apenas o conteúdo das revelações e passou a envolver também a percepção de que Flávio mudou sobre o alcance de sua relação com o banqueiro ao longo da crise. Esse cenário ampliou o movimento de partidos e lideranças estaduais tentando “descolar” suas campanhas regionais de disputa presidencial.

O efeito já vem sendo percebido em estados como Santa Catarina, Ceará, Bahia e Minas Gerais, onde aliados passaram a defender campanhas mais independentes da eleição nacional.

Reservadamente, os membros do partido afirmam que a prioridade agora é evitar que uma crise na pré-campanha presidencial comprometa a engenharia nacional de alianças construídas pelo bolsonarismo para a próxima eleição.

Mesmo diante desse cenário, interlocutores da legenda afirmam que o partido ainda não trabalha formalmente com substituição de candidatura presidencial. A avaliação predominante é que, apesar do desgaste, nenhum outro nome da direita reúne hoje o mesmo capital político, o sobrenome Bolsonaro e o apoio da militância conservadora que Flávio ainda mantém.