Poder e Governo

Após crise com Vorcaro, Flávio Bolsonaro vai ao Rio e aposta em ato evangélico para conter ruídos

Senador deve participar da Marcha para Jesus na capital fluminense neste sábado

Agência O Globo - 22/05/2026
Após crise com Vorcaro, Flávio Bolsonaro vai ao Rio e aposta em ato evangélico para conter ruídos
Flávio Bolsonaro - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

Em meio ao esforço da pré-campanha para conter os danos provocados pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarca para o Rio de Janeiro nesta sexta-feira, onde deverá participar, na tarde de sábado, da Marcha para Jesus. O evento reúne milhares de fiéis e lideranças evangélicas, e a presença do senador ocorre em um momento em que aliados do PL discutem os segmentos religiosos uma das principais frentes para conter o desgaste político de sua pré-candidatura à Presidência.

Segundo avaliação interna, a crise relacionada ao Banco Master começou a gerar desgaste especialmente entre setores estratégicos para Flávio fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo, como empresários, representantes do agronegócio e lideranças evangélicas.

Nos bastidores, os interlocutores da campanha afirmam que a participação na Marcha para Jesus integra uma estratégia mais ampla de "normalização" da candidatura, após dias marcados pela repercussão de áudios, mensagens e encontros envolvendo Vorcaro. O objetivo é demonstrar que a pré-campanha segue ativa e mantém apoio em segmentos historicamente ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A expectativa é de que Flávio também esteja presente na edição paulista da Marcha para Jesus, prevista para o início de junho.

O movimento ocorre em um contexto de cautela entre lideranças evangélicas alinhadas ao bolsonarismo, que aguardam possíveis novos desdobramentos do caso Master.

No grupo de WhatsApp “Aliança”, que reúne pastores influentes como Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes, a crise tem sido dominada pelas conversas. Relatos demonstram desconforto não só pela proximidade entre Flávio e Vorcaro, mas também pela condução política da crise e pelas explicações da campanha.

Apesar disso, interlocutores dos segmentos afirmaram que ainda não há disposição para um rompimento explícito com o senador. A avaliação predominante é que o apoio permanece condicionado aos desdobramentos do caso.

"A relação de Flávio com os evangélicos esfria, sim, se tivermos comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme. Por enquanto, estamos todos com cautela", afirmou o pastor Silas Malafaia ao jornal O Globo nesta semana.

O bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, também assistiu que o episódio foi um “balde de água fria” na pré-campanha do senador.

"Foi muito negativo tanto o fato em si, da aproximação com Vorcaro, como a explicação em prestações. Claro que abalou o segmento, mas estamos todos em modo de espera para ver o que é crime e o que é apenas narrativa", declarou Rodovalho.

Dentro da campanha, os aliados admitiram, em caráter reservado, que o planejamento original da candidatura foi alterado pelas revelações envolvendo Vorcaro.

Há algumas semanas, a estratégia de Flávio previa uma postura mais discreta até as convenções partidárias, evitando propostas antecipadas e reduzindo a exposição pública para preservar o senador do desgaste político típico de campanhas longas.

A crise, no entanto, levou membros da equipe a defender uma comunicação mais agressiva, com ampliação de agendas públicas, intensificação de encontros políticos e até antecipação de anúncios ligados a eventual programa de governo.

Nesse contexto, auxiliares também passaram a discutir a possibilidade de antecipar o anúncio de membros da futura equipe econômica da campanha, numa tentativa de deslocar o debate público para temas ligados a propostas e gestão.