Poder e Governo

Haddad critica privatização da Sabesp e promete revisar contrato se eleito

Ex-ministro acusa Tarcísio de criar a 'Enel da água' e promete reavaliar concessão caso vença em SP

Agência O Globo - 21/05/2026
Haddad critica privatização da Sabesp e promete revisar contrato se eleito
Fernando Haddad - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), classificou como "lambança" o processo de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), nesta quinta-feira (21). Ele afirmou que, se eleito, irá reavaliar pontos do contrato de concessão com os municípios. Haddad também acusou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de criar a "Enel da água", em referência à empresa de energia elétrica frequentemente criticada pelos apagões na região metropolitana.

"A Sabesp supera a Enel em queixas no Procon, em termos de mau atendimento, e não podemos admitir isso. Esse problema está relacionado ao contrato assinado. Vou averiguar as cláusulas protetivas dos consumidores, porque as pessoas estão se sentindo desamparadas diante dessa lambança", declarou Haddad. Para ele, "a experiência da privatização não está dando certo", com "acidentes horríveis" e "vidas sendo perdidas".

Escolhido do presidente Lula para disputar o governo paulista, Haddad participou de uma mesa de debates organizada pelo centro acadêmico da Faculdade de Ciências Econômicas da Unifesp, em Osasco. Durante o evento, defendeu a política econômica do governo federal, criticou o déficit fiscal herdado da gestão de Jair Bolsonaro e afirmou que rejeita a "cartilha da classe dominante" para o ajuste das contas públicas.

"Existem várias formas de corrigir, mas não optamos pela receita tradicional, de cortar verba da educação, da saúde, de congelar salário mínimo, tabela do Imposto de Renda, de não dar reajuste para o funcionalismo. Durante sete anos, isso foi feito, incluindo venda de patrimônio, privatizações sem critério para fazer caixa. Não quisemos repetir um ajuste em cima de quem já passou sete anos a pão e água", afirmou aos estudantes.

Em conversa com jornalistas, Haddad disse esperar definir a chapa para as eleições "até o final do mês de maio" e evitou responder se Lula teria preferência por Marina Silva (Rede) ou Simone Tebet (PSB) na disputa ao Senado. Ambas participaram de eventos com o presidente no início da semana, enquanto o principal concorrente interno, Márcio França (PSB), esteve ausente.

"Não conversei com ele (Lula) sobre isso, mas nos próximos dias devemos reunir as lideranças para tentar fechar a chapa até o fim de maio", relatou o pré-candidato do PT. "As pesquisas mostram que os três são nomes muito competitivos ao Senado, mas talvez seja o caso de lançar dois nomes, e não três, do campo. Vamos conversar com maturidade e não vejo dificuldade em chegar a uma boa solução."

Caso Master

Haddad voltou a atribuir o escândalo das fraudes envolvendo o Banco Master a figuras próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que autorizou a compra da instituição pelo empresário Daniel Vorcaro. Ele lembrou que tanto Bolsonaro quanto Tarcísio receberam doações eleitorais do cunhado do banqueiro e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de fazer parte do "núcleo duro" das suspeitas investigadas pela Polícia Federal.

"A Polícia Federal está com liberdade total, dada pelo presidente Lula, para investigar todos. Agora, que existe um núcleo duro no sistema Master com o Bolsonaro, isso está patente. Não adianta tapar o sol com a peneira. E o Flávio, como representante desse núcleo duro, terá que responder por todos esses personagens. Há dinheiro público envolvido e uma sucessão de omissões que não se sustentam mais", concluiu.