Poder e Governo

Por ordem de Mendonça, Anac bloqueia avião de Ciro Nogueira

Ordem de sequestro e indisponibilidade do avião foi inscrita nos registros da aeronave da fabricante Beech Aircraft, modelo B200

Agência O Globo - 21/05/2026
Por ordem de Mendonça, Anac bloqueia avião de Ciro Nogueira

Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) bloqueou uma aeronave pertencente ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O avião, um bimotor executivo Beech Aircraft modelo B200, foi adquirido pelo parlamentar em 2023 por R$ 4 milhões.

A ordem de sequestro e indisponibilidade do bem foi registrada nos cadastros da aeronave, que é operada por empresas sediadas na Paraíba e no Rio Grande do Norte. A decisão, encaminhada à Anac em 8 de maio, ocorreu um dia após Ciro ser alvo de uma operação da Polícia Federal.

Ciro Nogueira foi um dos principais alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, o senador teria atuado em benefício do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em troca de vantagens econômicas ilícitas. Entre os indícios apontados, está uma emenda apresentada por Nogueira no Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), supostamente redigida dentro do próprio Banco Master.

De acordo com a PF, Ciro teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados como contrapartida por sua atuação.

Quando a operação foi deflagrada, a defesa do senador afirmou que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". Os advogados destacaram ainda o compromisso de Ciro em colaborar com a Justiça "a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados".

Dias após a operação, Ciro Nogueira se manifestou nas redes sociais, classificando as investigações relacionadas ao Banco Master como parte de um "roteiro absurdo de ficção". O senador alegou perseguição política e reafirmou que "não cometeu nenhuma irregularidade".