Poder e Governo
Moro defende Flávio Bolsonaro, e esquerda cobra coerência com postura na Lava-Jato
No início do ano, o ex-juiz trocou o União Brasil pelo PL para concorrer ao governo do Paraná e dar palanque para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro
Pré-candidato ao governo do Paraná, o senador (PL) tem defendido a presidência de seu partido, diante dos desdobramentos do caso Master. A postura é explorada por adversários de esquerda, que ressaltam diferenças em relação à sua atuação na Lava-Jato e ao período em que se manteve rompido com o bolsonarismo.
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Insegurança, demora e falta de estratégia:
A conduta do ex-juiz chamou a atenção nas redes sociais nesta semana, a partir da viralização de um vídeo que mostrou sua ocorrência no momento em que Flávio admitiu ter visitado o banqueiro Daniel Vorcaro em novembro do ano passado, em sua casa após o dono do Mestre ter sido preso pela primeira vez.
A expressão de Moro na ocasião foi ironizada por perfis de esquerda no X, que compartilharam a gravação e disseram que o ex-juiz da Lava-Jato estaria sendo leniente “suspeito de corrupção” em relação ao aliado.
Desde a semana passada, Moro tem sido alvo de membros da esquerda, como a ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT), segundo a qual existiria um “silêncio ensurdecedor” dele após o vazamento de áudio enviado por Flávio a Vorcaro na semana passada. Em resposta, Moro disse que “sinônimo de corrupção é o PT” e afirmou ter assinado o requerimento de abertura da CPI do Master. O senador também foi citado no discurso do presidente Lula nesta semana durante um compromisso em uma refinaria da Petrobras em Campinas (SP), quando o petista o acusou de “tentar fazer falcatruas com a Lava-Jato”.
Moro disse, em nota, que “é contra a corrupção e, por este mesmo motivo, contra o governo Lula que, ao desmantelar a Lava-Jato, abriu as portas para a volta da roubalheira, inclusive com suspeitas de envolvimento do Lulinha”. No texto, o senador disse ter como proposta de campanha a criação de uma “agência estadual anticorrupção” com mandato fixo para diretor.
de imagem
Hoje bandeira de campanha, o tema pautou a construção da imagem de Moro durante a Lava-Jato, que atingiu governos petistas. Após a eleição de Jair Bolsonaro (PL), o ex-juiz tornou-se um “superministro” da Justiça de sua gestão. A relação entre os dois, no entanto, se deteriorou no início de 2020, quando Moro pediu demissão da carga e acusou o ex-presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal para beneficiários familiares.
“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente”, escreveu no X.
No mesmo período, Moro disse que “assim como Lula, Bolsonaro mente” e que “nada do que ele fala deve ser levado a sério”. “Sério que, entre um ladrão de um lado e um ladrão do outro, a culpa é do juiz?”, também questionou na época.
A trégua com o bolsonarismo veio em 2022, depois de ele desistir de se candidatar ao Palácio do Planalto e declarar apoio a Bolsonaro. Desde então, diante das crises que atingiram o grupo político do ex-presidente, o senador se dividiu entre momentos de silêncio e de defesa dos aliados.
Em 2023, foi criticado por Carlos Bolsonaro, por não se manifestar depois do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar a inelegibilidade de Bolsonaro. Já no ano seguinte, saiu em defesa do ex-presidente depois de a PF concluir o inquérito das joias sauditas e pedir seu indiciamento.
Em um movimento que selou a reaproximação, o ex-juiz trocou no início deste ano o União Brasil pelo PL para concorrer ao governo do Paraná e dar palanque para Flávio.
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