Poder e Governo

Pressão interna, crise do Master e falta de estratégia: os motivos da saída de Marcellão, marqueteiro de Flávio

Cobranças por respostas mais rápidas precipitaram saída de aliado do senador

Agência O Globo - 21/05/2026
Pressão interna, crise do Master e falta de estratégia: os motivos da saída de Marcellão, marqueteiro de Flávio
Flávio Bolsonaro - Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

O agravamento da crise envolvendo o caso Master e o aumento das pressões sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levou aliados do senador a defensor uma reformulação na comunicação da pré-campanha. O movimento resultou na saída de Marcello Lopes, o "Marcellão", amigo pessoal do presidente e alvo de críticas reservadas nos bastidores. Ele foi substituído pelo publicitário Eduardo Fischer.

O anúncio oficial da troca ocorreu na noite de quarta-feira, embora já tenha circulado, nos bastidores, a intenção de parte do grupo de Flávio de promover mudanças na equipe de comunicação. As insatisfações se agravaram diante do fato de que foi considerada falta de habilidade na condução da maior crise enfrentada pelo presidente até agora.

Em nota, Marcellão afirmou que esteve reunido com Flávio em São Paulo na quarta-feira, quando comunicou sua decisão de não seguir colaborando na pré-campanha à Presidência da República.

"O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar", diz o comunicado.

As viagens frequentes aos Estados Unidos também foram motivo de desgaste para Marcellão. Ele estava no exterior quando veio aos áudios de Flávio enviados a Daniel Vorcaro, que resultaram em uma crise de imagem para o senador.

Apesar do descontentamento com a condução da crise do caso Master, parte do entorno de Flávio já demonstrou incômodos com o trabalho de Marcellão meses antes das revelações sobre Vorcaro.

Aliados avaliaram, nos bastidores, que a comunicação da campanha era dependente do círculo pessoal de confiança de Flávio, defendendo uma "profissionalização" do setor.

O desgaste se intensifica após o caso Master impactar diretamente a pré-campanha. Internamente, avaliou-se que a crise revelou dificuldades da equipe em responder rapidamente ao noticiário e em construir uma estratégia de comunicação unificada.

Integrantes da pré-campanha relatam que Flávio acabou sendo levado “a reboque” dos acontecimentos, demorando a responder questões que, segundos aliados, deveriam ter sido enfrentadas antes mesmo do anúncio oficial da candidatura.

A percepção interna é de que Flávio transmitiu insegurança política ao mudar versões sobre sua relação com Vorcaro e sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de 2018 de Jair Bolsonaro (PL).

Nesse contexto, cresceu a defesa pela contratação de profissionais mais experientes do mercado publicitário e de política de comunicação. Eduardo Fischer, chamado para substituir Marcellão, passou a ser visto como nome capaz de ajudar Flávio a recuperar a iniciativa política após dias de pressão do noticiário.

Fischer é reconhecido como um dos pioneiros da comunicação integrada no Brasil e esteve à frente de campanhas publicitárias de grande repercussão nacional, como “Brahma número 1”, “Experimenta Nova Schin”, “Baby Telesp Celular” e a retomada do personagem “Baixinho da Kaiser”, segundo a Academia Brasileira de Marketing.

O empresário também foi sócio do apresentador Roberto Justus no setor publicitário, parceria que consolida seu nome entre os principais executivos da comunicação brasileira. Conforme a entidade, Fischer acumula mais de 700 prêmios nacionais e internacionais de publicidade e já foi eleito cinco vezes “Publicitário do Ano” no Brasil.