Poder e Governo

Flávio Bolsonaro propõe pausa de um ano na reforma tributária para revisão do modelo

Proposta é aposta da equipe do senador para superar crise após caso Vorcaro

Agência O Globo - 20/05/2026
Flávio Bolsonaro propõe pausa de um ano na reforma tributária para revisão do modelo
Flávio Bolsonaro - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a defender uma pausa de um ano na implementação da reforma tributária, com o objetivo de rediscutir pontos centrais do novo modelo de cobrança sobre o consumo. A proposta tornou-se uma das principais apostas da equipe do senador para reorganizar sua pré-candidatura presidencial, após a crise gerada pela revelação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

A revisão da reforma tributária é defendida por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio. A sugestão foi apresentada nesta quarta-feira pelo senador em reuniões com empresários e interlocutores do mercado financeiro em São Paulo.

A ideia consiste em suspender por um ano a entrada em vigor do novo sistema para revisar o desenho do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), recalibrar regimes especiais e reavaliar fundos criados durante a tramitação da proposta no Congresso.

— Nós sabemos quais são os problemas da reforma. Você tem um IVA estimado em 29%, quase R$ 900 bilhões em isenções contratadas e fundos que acabaram gerando aumento de dívida pública fora dos parâmetros fiscais. Houve uma série de regimes especiais e benefícios para setores específicos que desequilibraram o processo como um todo — afirmou Marinho ao GLOBO.

Segundo o coordenador da campanha, a proposta não significa rejeitar o conceito de IVA, mas sim rever o modelo aprovado durante o governo Lula. Para o grupo, a regulamentação afastou-se da promessa inicial de simplificação tributária.

Marinho também argumenta que a combinação de regimes especiais, isenções e fundos de compensação elevou a alíquota final e ampliou distorções fiscais. Ele alerta que o prazo de transição atual pode estimular evasão, judicialização e planejamento tributário agressivo.

— O que estamos apresentando é um prazo de transição de um ano para rever esse modelo. Do jeito que está, vamos criar mais elisão, mais sonegação e mais evasão fiscal — reforçou.

A proposta surge em um momento em que aliados de Flávio defendem uma mudança de postura da campanha, após os danos políticos provocados pelo caso Vorcaro. Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o senador precisa retomar rapidamente o debate programático e apresentar agendas capazes de reorganizar tanto o eleitorado bolsonarista quanto setores do mercado financeiro e empresariado que vinham sendo trabalhados pela pré-campanha nos últimos meses.

A crise ganhou força após a divulgação de mensagens e áudios em que Flávio cobrava pagamentos de Vorcaro relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, projeto audiovisual sobre Jair Bolsonaro.

O desgaste se intensificou quando o senador admitiu, internamente, que também procurou o banqueiro pessoalmente em São Paulo, após a primeira prisão do empresário, quando ele já cumpria prisão domiciliar e era monitorado por tornozeleira eletrônica.

Diante desse cenário, aliados passaram a defender que a campanha antecipe anúncios de propostas e parte do plano de governo, que antes seria apresentado apenas mais próximo da oficialização da candidatura.

No campo econômico, a revisão da reforma tributária tornou-se prioridade no discurso da campanha, buscando reconstruir pontes com empresários e investidores. Uma ala crescente da equipe de Flávio também pressiona pela apresentação mais clara da equipe econômica da candidatura, numa tentativa de reproduzir o efeito que Paulo Guedes exerceu sobre o mercado na campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

Na área de segurança pública, outro tema escolhido para reposicionar a campanha é a defesa da redução da maioridade penal. Aliados avaliam que essa pauta tem forte potencial de mobilização do eleitorado conservador e pode ajudar Flávio a recuperar fôlego político.