Poder e Governo
Inelegível pelo TSE, Cláudio Castro sofre novo revés político após operação da PF
Candidatura ao Senado do ex-governador está ameaçada, e nomes alternativos circulam no PL
Além dos desdobramentos criminosos, a operação da Polícia Federal realizada ontem impôs um novo revés à já fragilizada candidatura de Cláudio Castro ao Senado pelo Rio de Janeiro. O PL passou a considerar, de forma reservada, alternativas ao nome de Castro — movimento que já vinha sendo discutido internamente desde que ele se tornou inelegível após reportado no caso Ceperj.
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Diante do cenário, nomes alternativos começaram a ganhar força dentro do partido. O mais cotado é o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, considerado competitivo por sua influência entre o eleitorado evangélico e boa relação com o núcleo bolsonarista. Sóstenes, contudo, nega interesse:
— Cláudio é o nosso candidato. Não se abandone o soldado ferido — afirma.
Outros citados nas discussões internas são os deputados Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, e Carlos Jordy, além de Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro. Fora do PL, surge o nome do ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi (PP).
Jordy, que há meses se coloca como pré-candidato ao Senado, adota postura distinta de Sóstenes e declara estar pronto para disputar:
— Essa sempre foi minha vontade. Sempre quis enfrentar a tirania do STF. Se eu tiver que ir para uma missão, estou pronto — diz.
A decisão final sobre uma eventual substituição caberá ao senador e presidente Flávio Bolsonaro, que assumiu o protagonismo na montagem da chapa da direita no Rio. Mesmo após a divulgação de conversas com Daniel Vorcaro, do Banco Master, Flávio manteve agenda no estado ao lado do pré-candidato do PL ao governo, Douglas Ruas.
Riscos com candidatura
Apesar das discussões internas, a direção do partido tem mantido publicamente o apoio ao ex-governador. Desde a notícia de Castro em março pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022, dirigentes do PL já admitiram nos bastidores a possibilidade de retirar uma candidatura caso uma situação jurídica não se revertesse. Persistem ainda as desconfianças de setores da sigla em relação a Castro.
Em março, logo após o julgamento do TSE, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou ao jornal O Globo que o partido não correria o risco de lançar um candidato sub judice:
— O partido não vai correr risco. Cláudio só sai candidato se ganhar o recurso — afirmou.
Aliados de Castro ainda demonstraram otimismo com recursos pendentes no TSE, agora sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, cujo voto em março foi favorável ao ex-governador.
Ainda assim, a permanência de Castro como nome do PL sempre foi vista como politicamente delicada. Além dos riscos jurídicos, há recebimento de novas operações envolvendo o ex-governador. O caso Master, por exemplo, tem no Rio um de seus principais focos: durante a gestão de Castro, o Rioprevidência relatou cerca de R$ 1 bilhão no banco de Vorcaro, e ex-funcionários do instituto foram presos nos últimos meses.
Inicialmente, a chapa da direita para a eleição no Rio anterior Douglas Ruas (PL) ao governo, Rogério Lisboa (PP) como vice e dois nomes para o Senado: Cláudio Castro e Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo.
Com a indefinição no PL e a possibilidade de partidos de centro-direita, como os Republicanos, lançarem candidatos próprios, a direita observa um cenário inusitado: a esquerda conta, até o momento, com apenas uma candidatura consolidada, a de Benedita da Silva (PT).
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