Poder e Governo

Ao lado de Flávio Bolsonaro, Derrite lança pré-candidatura ao Senado

Em evento com forte conotação eleitoral, Flávio disse que 'Bolsonaro merece um filme com recursos privados', tentou desqualificar notícias que o ligam a Daniel Vorcaro e falou que vai 'a vitória vai chegar em outubro'

Agência O Globo - 16/05/2026
Ao lado de Flávio Bolsonaro, Derrite lança pré-candidatura ao Senado
- Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal (PP-SP) oficializou sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo nesta sexta-feira (15). Ao lado do senador e pré-candidato ao Planalto (PL) e do governador do estado, (Republicanos), Derrite fez um evento em Campinas, que teve forte conotação eleitoral em prol de Flávio, que minimizou o impacto das mensagens com Daniel Vorcaro, disse que vencerá as eleições no primeiro turno e criticou o presidente Lula (PT).

Crise na pré-campanha:

Caso Master:

O evento ocorre num momento de crise na pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que manteve a presença no mesmo evento Em setembro de 2025, o senador pediu dinheiro ao dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, uma produção ficcional que vai abordar a candidatura de Bolsonaro à presidência da República em 2018, e tem previsões de ser lançado ainda neste ano nos Estados Unidos.

— O lado de lá não tem limites e no momento que meu pai me convocou para, no lugar dele, porque era ele que tinha que estar aqui, enfrentar essa missão, eu sabia as dificuldades que a gente teria. Eu sabia que não seria fácil e não será fácil. Mas eu lembro de uma frase que o Luís (Lula) falou: “eu vou fazer o diabo para me eleger”. E eu tenho que falar para ele que ele vai perder, porque se ele está com diabo, eu estou com Deus, porque esse é um projeto de Deus e a graça dele que vai levar a gente até a vitória — disse Flávio, no evento.

O presidente do Partido Progressistas, o senador (PP-PI), não compareceu. Na semana passada, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de ter atuado em favor do Mestre no Senado e ter recebido R$ 300 mil de mesas do banqueiro.

Apesar da presidência de Derrite na disputa ao Senado, o evento teve Flávio como grande estrela e forte tom eleitoral, inclusive com a comercialização de bonés com a frase "Flávio Bolsonaro 2026" por alguns fornecedores que circularam pelo espaço.

Durante todo o tempo, as caixas de som do auditório tocavam jingles exaltando Flávio, em estilos musicais variados que iam do forró ao rap. Antes de começar a falar, o senador segurou uma criança no colo, e mais de uma vez tratou sua eleição como certa, citando diretamente o mês de outubro como a "hora da vitória". Nos discursos, os políticos destacaram a importância de São Paulo na eleição de 2026, já que o estado concentra cerca de 22% do eleitorado, e da importância de fazer a maioria no Senado "para ajudar Flávio como presidente".

Flávio falou mal do presidente Lula, e comentou que "sabia que teria dificuldades", e usou sua fala para se defender das acusações sobre o dinheiro recebido do doador do Banco Master. Ele atacou o site The Intercept Brasil, que revelou as mensagens, disse que o portal “não faz jornalismo” e que está tentando “interceptar o futuro do país”. Flávio ainda associou o site ao crime organizado.

— O Bolsonaro merece ou não merece um filme? Ele merece e a gente vai fazer. E a gente busca recursos privados, lógico que lá atrás a gente não sabe que o investidor chegaria no momento que está hoje, lá atrás ninguém poderia imaginar. Mas é esse sonho nosso de fazer uma homenagem a Jair Bolsonaro, porque nesse país está tudo tão de pernas para o ar que o certo vira errado, o errado vira certo. Tem filme que é com dinheiro privado, tem filme que é com dinheiro público, tem filme que para fazer propaganda para eles tomam impostos do trabalhador. Esse dinheiro público é usado para fazer propaganda política para o atual presidente. A gente não tem Lei Rouanet. Eu não posso pedir dinheiro público para fazer desfile de escola de samba, que foi propaganda antecipada e ainda zomba das famílias brasileiras, dos evangélicos, dos católicos — disse.

“pai, a gente vai te libertar e você vai subir aquela rampa, pai, com a gente, em janeiro de 2027. E a gente nunca mais vai falar de PT porque eles vão ficar recolhidos à sua insignificância, porque eles não vão mais contiuar sequestrando o futuro do nosso Brasil”

Dirigindo-se ao pai, que está em prisão domiciliar, Flávio disse que iria “libertá-lo e que ele irá “subir a rampa” ao seu lado.

— Comparem, olha qual é o tempo que a gente está oferecendo para São Paulo, olha a seleção e olha a concorrência, é um atraso, é a incompetência, é a hipocrisia que está do lado de lá, são os criminosos. Por isso, eu tenho muita certeza de que daqui a cinco meses a gente vai estar junto, se abraçando, chorando de alegria, porque não tem nada que a esquerda faça que vai tirar esse sorriso do meu rosto. Porque eu sei que Deus já nos deu a vitória, só não chegou a notícia ainda, mas em outubro ela vai chegar — afirmou.

Derrite e Flávio se encontraram juntos no palco às 19h, sem o governador, que só chegou por volta das 20h. Derrite se referiu a Flávio como “próximo presidente do Brasil”, elogiou Tarcísio, e citou ações durante sua gestão na Secretaria de Segurança Pública, e falou do papel do Senado para “frear os abusos do Judiciário”.

— Temos que trabalhar unidos e em grupo, é um único bloco, uma única vez, para que as pessoas possam, no Senado Federal, que tem que exercer seu papel de freio e contrapeso para frear os abusos do Poder Judiciário. Mas antes do compromisso de aprovar a anistia ampla, geral e irrestrita, temos que fazer maioria para eleger um presidente do Senado conservador e de direita — falou.

Tarcísio usou sua fala para criticar o Partido dos Trabalhadores (PT) e disse que é preciso dar “cartão vermelho” para a sigla em outubro. Ele ainda elogiou o trabalho de Derrite na pasta da Segurança Pública, cargo que ocupou por mais de três anos, e disse que o país “precisa dele no Senado, assim como o deputado estadual André do Prado (PL)”, que é o segundo pré-candidato na chapa da direita.

— Esse país precisa de liderança, o principal problema do Brasil é a falta de liderança e com a turma que está aí não tem projeto, não tem futuro. E a gente tem que dar o cartão vermelho. E eu quero saber: quem vai dar o cartão vermelho para o PT em outubro? - indagou. – Eu quero ver o Derrite e o André do Prado no Senado, quero saber quem aqui quer ver também.

O governador também aproveitou para agradecer a Jair Bolsonaro e dizer que agora é seu filho que vai “resgatar” o Brasil.

— O Jair Messias Bolsonaro mudou a minha história, mudou a trajetória de muita gente, ele fez muita gente perceber muita coisa. Ele fez a gente entender que é de direita, patriota, conservador, ele construiu um projeto de futuro para esse país. Ele foi um grande presidente da República, e nós precisamos resgatar esse projeto, que está nas mãos de seu filho, Flávio Bolsonaro. Que acompanha cada passo do seu pai. Eu fico imaginando quanto investimento vai chegar no estado de São Paulo com Flávio Bolsonaro presidente. Que Deus abençoe nosso Brasil sob a liderança de Flávio Bolsonaro — acrescentou.

Também foi confirmado Vicente Santini como suplente de Derrite. O ex-ministro Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio, e o senador Sérgio Moro (PL-PR) também estiveram presentes. Moro afirmou que “o escândalo do Banco Master é um escândalo do governo do PT” e que é “o grupo liderado por Flávio Bolsonaro que vai realizar uma missão de virar a página do Brasil”.

Chapa ao Senado cheio de atritos

A disputa ao Senado em São Paulo vem sendo vetor de brigas na direita, já que uma ala dos políticos bolsonaristas paulistas não vê com bons olhos a candidatura de André do Prado, escolhido por Eduardo Bolsonaro (PL) como representante do PL ao cargo. Eduardo será suplente. André comparou ao evento desta sexta e elogiou Derrite.

Nesta semana, e André, inclusive, acusou a dupla de ter feito um acordo financeiro em prol da candidatura. Em um vídeo publicado nesta semana,

A escolha do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para concorrer como senador também tem o respaldo de Tarcísio, que vinha defendendo um nome mais ligado à centro-direita para concorrer com a esquerda, que tem como pré-candidatos Simone Tebet (PSB), já confirmado, e Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB) como possíveis candidatos.

Derrite, ligado à pauta da segurança pública e considerado mais ligado ao bolsonarismo, já cumpria a “cota mais ideológica” da chapa, segundo aliados, enquanto Prado, que está no PL muito antes da chegada de Bolsonaro, é visto como alguém menos radical e que conseguiria dialogar com variados setores.