Poder e Governo
Alvos de operação que atingiu Castro e Refit estavam no governo do Rio até interino assinar exonerações
Juliano Pasqual, da Fazenda, e Renan Saad, da PGE, só saíram do Executivo após desembargador Ricardo Couto promover 'limpa' na gestão
Ex-integrantes do governo do Rio de Janeiro, alvos de operação policial nesta sexta-feira, motivados em suas cargas até algumas semanas atrás, quando o governador interino, o desembargador Ricardo Couto, assinou as exonerações. Juliano Pasqual , então secretário de Fazenda, e Renan Saad , que comandava a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), são apontados pela Polícia Federal como agentes que favoreceram os interesses da Refit, empresa de Ricardo Magro, considerada a maior devedora de impostos do país.
Análise:
Além de Magro, o ex-governador Cláudio Castro (PL) também foi alvo da operação, que resultou na apreensão de um celular e um tablet em seu apartamento.
Ao ser nomeado, Pasqual teve sua indicação chancelada por Magro, segundo fontes ligadas à política fluminense. Pasqual tem ligação com a família do ministro aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, que o empregou em seu gabinete enquanto era deputado federal. Tiago Cedraz , filho de Aroldo, é advogado e próximo dono da antiga Refinaria de Manguinhos.
A exoneração de Pasqual foi publicada por Ricardo Couto em 29 de abril, pouco mais de um mês após a saída de Castro. O governador interino foi promovido uma "limpa" na administração estadual, com demissões em massa em diferentes órgãos.
Outro alvo de buscas da PF, Renan Saad, foi procurador-geral do Estado durante parte da gestão Castro. Saad substituiu Bruno Dubeux, afastado em 2023 por, segundo interlocutores, não concordar em aprovar novas facilidades à refinaria, conhecida pelo recorrente não pagamento de tributos. No mesmo dia 29 de abril, Couto reverteu a troca e Dubeux reassumiu a carga.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onde Magro mantém influência, chegou a interditar a Refit em setembro do ano passado por irregularidades, mas a liberou um mês depois. O governo do Rio, por meio da PGE, acionou a Justiça para defender a reabertura da refinaria.
De acordo com a Polícia Federal, Dubeux foi "escantado por Cláudio Castro por não se curvar à defesa dos interesses da Refit".
Sobre Pasqual, a PF afirma que a Secretaria de Fazenda, sob sua gestão, "virou uma extensão da estrutura empresarial do Grupo Refit, promovendo atos que facilitavam suas transações e dificultavam a entrada de concorrentes no mercado fluminense".
As defesas de Pasqual e Saad ainda não foram localizadas.
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