Poder e Governo

Caso Master: ex-presidente do BRB deve entregar anexos de delação em junho e indicar movimentação de recursos

Paulo Henrique Costa deve assinar termo de confidencialidade na próxima semana

Agência O Globo - 15/05/2026
Caso Master: ex-presidente do BRB deve entregar anexos de delação em junho e indicar movimentação de recursos
Paulo Henrique Costa

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa , preso no âmbito da investigação sobre fraudes envolvendo o Banco Master, está previsto para entregar os anexos de seu acordo de delação premiada em junho. Fontes próximas às negociações, conduzidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e com participação da Polícia Federal (PF), informaram que um termo de confidencialidade deverá ser assinado já na próxima semana, antecedendo a entrega oficial dos anexos.

O acordo de colaboração premiada, instrumento utilizado para obtenção de provas, exige a confissão dos crimes pelo investigado e o pagamento de multa, em troca de possível redução da pena.

Após a entrega dos anexos, as informações repassadas por Paulo Henrique Costa serão submetidas à verificação dos pesquisadores. Só depois dessa etapa, caso os dados sejam considerados relevantes, o acordo poderá ser homologado pela Justiça.

Os investigadores destacam que as apurações estão avançadas e que outros interessados ​​em colaborar, como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também deverão apresentar informações inéditas, especialmente sobre movimentações financeiras no exterior.

No caso de Paulo Henrique Costa, as conversas preliminares indicam que ele deve detalhar o "caminho do dinheiro" tanto no Brasil quanto no exterior. A investigação aponta para a existência de uma organização criminosa criada para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB.

Segundo apuração, uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões, arquitetada entre o banco público e o Master, teria ocorrido por “pura camaradagem”, numa tentativa de abafar a fiscalização do Banco Central (BC).

Como presidente do BRB, Paulo Henrique também teria informações sobre os envolvidos na tentativa de compra do Master pelo banco público. A expectativa é que ele entregue dados relevantes, incluindo nomes de grandes autoridades do Distrito Federal.

Após o início das tratativas para a delação premiada, Costa foi transferido do Complexo Penitenciário da Papuda para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada "Papudinha". O local é tradicionalmente destinado a policiais, militares e outras autoridades, com celas maiores e regras mais flexíveis. Daniel Vorcaro, por sua vez, está custodiado na superintendência da PF no DF.

Na Papudinha, Paulo Henrique tem se dedicado à análise do processo e à redação frequente de documentos. Antes da prisão, ele foi visto circulando por Brasília com uma pasta de couro repleta de papéis e já se preparou para um novo depoimento à PF.

Ele afirmou não ter o que delatar, alegando ser apenas uma peça de uma engrenagem maior, mas demonstrou disposição em colaborar com as investigações.

Para auxiliar os delegados da PF, o ex-presidente do BRB chegou a desenvolver um programa de Inteligência Artificial (IA) para localizar, por temas e personagens, todas as mensagens armazenadas em seu celular.

As conversas de WhatsApp envolveram desde contatos com diretores do Banco Central até trocas de mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-governador Ibaneis Rocha.