Poder e Governo

Operação da PF que mira em Castro faz PL questionar aposta em ex-governador e acelerar busca por substituto ao Senado

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que situação do ex-governador se tornou 'insustentável' após ação sobre suspeita de fraude no setor de combustíveis

Agência O Globo - 15/05/2026
Operação da PF que mira em Castro faz PL questionar aposta em ex-governador e acelerar busca por substituto ao Senado
Cláudio Castro - Foto: Reprodução

A operação da Polícia Federal que tem o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro como alvo acelerou a discussão no PL sobre um substituto para a disputa ao Senado em 2026. Segundo relatos feitos ao GLOBO, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a situação política de Castro ficou “insustentável” após a exploração desta sexta-feira e admitem que o partido já trabalha, de forma reservada, com cenários sem o ex-governador na chapa da direita no Rio.

A avaliação no entorno de Flávio é que a nova operação agravou um quadro que já vinha se deteriorando desde março, quando Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Na ocasião, o ex-governador renunciou ao cargo às vésperas da conclusão do julgamento, numa tentativa de evitar a cassação formal do mandato, mas acabou condenado à inelegibilidade mesmo assim.

Questionado sobre a operação na manhã desta sexta-feira, Flávio afirmou que ainda não havia entendimento dos detalhes da investigação.

— Eu ouvi a notícia, mas ainda não entendi direito. Você sabe o que houve.

Embora o discurso público do partido seja de apoio ao ex-governador desde suas declarações, os dirigentes do PL fizeram uma demonstração crescente de preocupação com o risco de lançar um candidato ao Senado que pudesse ter os votos anulados posteriormente pela Justiça Eleitoral. Castro apresentou embargos contra as reportagens ao TSE, mas os recursos não têm potencial para mudar a decisão da Corte eleitoral. Agora, porém, a investigação da PF aprofundou a percepção interna de desgaste.

A operação desta sexta-feira investiga suspeitas de fraude no setor de combustíveis envolvendo o grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro. A ação, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, também mira empresários, ex-integrantes do governo fluminense e agentes públicos suspeitos de participação em um esquema de ocultação patrimonial, evasão de recursos e lavagem de dinheiro.

A defesa do ex-governador afirmou ter sido “surpreendida” pela operação e declarou que ainda não teve acesso ao conteúdo do mandato de busca e apreensão cumprida contra o político. Em nota, os advogados afirmaram que Castro está “à disposição da Justiça” e que confia na “lisura” de sua atuação à frente do governo estadual.

Com isso, nomes alternativos passaram a circular com mais intensidade dentro do partido. O mais citado hoje é o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, visto por membros da legenda como um nome competitivo por reunir forte influência no eleitorado evangélico e boa interlocução com o núcleo bolsonarista. Ele nega a possibilidade:

— Cláudio é o nosso candidato. Não se abandone o soldado ferido.

Também aparecem nas conversas os deputados Carlos Jordy e Altineu Côrtes, além do ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi e da mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro.

Jordy, que há meses se coloca internamente como pré-candidato ao Senado, afirmou ao GLOBO que está disposto a disputar a vaga caso seja escolhido pelo partido.

— Estou totalmente à disposição do PL. Essa sempre foi minha vontade. Sempre quis enfrentar a tirania do STF. Se eu tiver que ir para uma missão, estou pronto.

A palavra final sobre uma eventual substituição deverá caber a Flávio, que assumiu o protagonismo na montagem da chapa da direita no Rio e é tratado internamente como o principal responsável pela definição da candidatura ao Senado.

Apesar das discussões reservadas, a direção do partido vinha mantendo publicamente a defesa do ex-governador. Ainda assim, desde as notícias no TSE, dirigentes da legenda já admitiram internamente a possibilidade de o PL abandonar a candidatura caso a situação judicial de Castro não fosse revertida.

Em março, logo após o julgamento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao GLOBO que o partido não pretendia assumir o risco de lançar um candidato sub judice.

— O partido não vai correr risco. Cláudio só sai candidato se ganhar o recurso.