Poder e Governo
Pré-campanha de Flávio aposta em ofensiva sobre Lulinha para virar página do caso Vorcaro
Estratégia inclui antecipação de ataques ao PT, intensificação de viagens e tentativa de transmitir normalidade após primeira turbulência
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu reagir ao desgaste provocado pela divulgação das negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro combinando duas estratégias simultâneas: intensificar a presença pública do presidenciável pelo país e partir para uma ofensiva política contra o PT na tentativa de deslocar o foco da crise do Banco Master.
Segundo interlocutores, a avaliação dentro do núcleo político do senador é que Flávio não pode “submergir” após a repercussão do caso e precisa transmitir rapidamente uma imagem de normalidade e resistência política depois da primeira grande turbulência da pré-campanha presidencial.
Por isso, aliados decidiram manter integralmente a agenda de viagens do senador e até ampliar compromissos regionais nas próximas semanas. Flávio embarcou nesta sexta-feira para o Rio de Janeiro e participará neste fim de semana de eventos em Sorocaba e Campinas voltados ao lançamento da chapa bolsonarista em São Paulo.
Nos bastidores, integrantes da campanha afirmam que a estratégia desenhada para as próximas semanas inclui ampliar agendas populares e intensificar viagens pelo país, incluindo um circuito de festas juninas em estados do Nordeste. A avaliação é que a presença constante do senador em eventos políticos e agendas de rua pode ajudar a reduzir a percepção de fragilidade produzida pela crise envolvendo Vorcaro.
Ao mesmo tempo, a equipe de comunicação resolveu antecipar a divulgação de materiais que já vinham sendo preparados para explorar ligações de empresários associados ao Banco Master com grupos políticos próximos ao PT, especialmente na Bahia.
A ofensiva mira principalmente o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, e tenta estabelecer conexões entre o Banco Master, o cartão Credcesta, da Bahia, empresários investigados e pessoas ligadas ao PT baiano. Segundo interlocutores, vídeos, infográficos e peças para redes sociais começaram a ser reorganizados ainda na quarta-feira, logo após a divulgação da reportagem do Intercept Brasil sobre as conversas entre Flávio e Vorcaro.
A ideia da campanha é tentar inverter parcialmente a narrativa construída nas redes sociais após a crise — apelidada por governistas de “Bolso Master” — e empurrar o debate para supostas conexões do grupo empresarial investigado com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nos bastidores, integrantes da pré-campanha afirmam que a linha política definida após a reunião de emergência realizada no Lago Sul passou a combinar duas frentes: sustentar que não houve ilegalidade na busca de patrocínio privado para o filme “Dark Horse” e, simultaneamente, ampliar o desgaste do governo Lula em torno do escândalo do Banco Master.
A mudança de postura ocorre depois de fortes críticas internas à condução da reação inicial da campanha. Integrantes do PL e aliados de Flávio classificaram reservadamente as primeiras horas da crise como desorganizadas e sem comando.
Interlocutores próximos ao senador reclamaram da demora na divulgação da resposta oficial, da ausência de orientação política para aliados enquanto governistas já exploravam o caso nas redes sociais e da falta de alinhamento entre Flávio, produtores do filme e integrantes da ala ideológica do bolsonarismo sobre os recursos ligados ao longa “Dark Horse”.
A crise ganhou dimensão ainda maior porque Flávio vinha minimizando publicamente sua proximidade com Vorcaro nas semanas anteriores. Depois da divulgação das mensagens atribuídas ao senador, aliados passaram a avaliar reservadamente que a negativa inicial “pegou muito mal” e ampliou o desgaste político.
Além disso, auxiliares e parlamentares ligados ao PL consideraram que o vídeo gravado por Flávio após a reunião de emergência transmitiu uma imagem de desconforto e abatimento justamente no momento em que a campanha precisava demonstrar controle político da situação.
Mesmo diante das críticas, integrantes da equipe afirmam que levantamentos preliminares feitos pela comunicação indicam que os efeitos eleitorais da crise foram menores do que o inicialmente temido dentro da pré-campanha.
A leitura predominante entre aliados é que a repercussão ficou concentrada principalmente entre bolhas políticas mais mobilizadas e que, até agora, não houve sinais claros de erosão consistente da pré-candidatura entre eleitores conservadores e indecisos.
O receio maior no entorno de Flávio permanece ligado à possibilidade de novos vazamentos envolvendo conversas, documentos ou detalhes financeiros relacionados ao filme sobre Jair Bolsonaro.
Flávio tem sustentado que não há novos desdobramentos a serem explorados. A aliados tem dito que há “risco zero” de novos vazamentos.
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