Poder e Governo
Deputado produtor de filme sobre Bolsonaro atua para conter desgaste de áudio de Flávio e Vorcaro em missão no Bahrein
De acordo com relatos de três interlocutores, Eduardo Bolsonaro também está no país
O deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme que homenageia Jair Bolsonaro (PL-SP), tem atuado para tentar conter o desgaste político da revelação de áudio em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra o banqueiro Daniel Vorcaro recursos para o longa enquanto cumpre missão oficial no Bahrein.
Como revelou o site “The Intercept”, Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro uma ajuda para efetuar novos pagamentos que ajudassem o filme, intitulado “Dark Horse”. O acordo entre eles já havia rendido transferências de R$ 62 milhões. O Master não apareceria formalmente como patrocinador do longa.
Frias, que se aproximou da família Bolsonaro após ser nomeado secretário especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, viajou ao Bahrein no início da semana após ter sido convidado pela embaixada do país, segundo pedido apresentado à Câmara dos Deputados.
De acordo com relatos de três interlocutores, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também está no país.
De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, o deputado apresentou pedido de missão oficial sem ônus para cumprimento de agendas no país no período de 12 a 18 deste mês. “A convite da embaixada do Bahrein em Brasília, o parlamentar participará de reuniões no parlamento do país e do Comitê de Desenvolvimento Econômico”, diz em nota.
Documento obtido pelo GLOBO mostra que a agenda prevê encontros com integrantes do governo bareinita, empresários e autoridades ligadas à área econômica. A programação inclui reuniões no Conselho de Desenvolvimento Econômico do Bahrein, encontros com empresários e visitas institucionais.
Mesmo fora do Brasil, Frias atuou à distância para conter os desgastes à candidatura de Flávio à Presidência. Frias e Eduardo foram procurados pela reportagem, mas não responderam.
Interlocutores de Frias dizem que ele deve retornar ao Brasil no fim do mês. Essa não é a primeira vez que um parlamentar aliado do clã Bolsonaro viaja ao Bahrein.
Em 2021, Jair Bolsonaro inaugurou a embaixada do Brasil no país, a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro visitou o país. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um dos filhos do ex-presidente, viajou ao Bahrein em novembro do ano passado. Já Flávio esteve no país no começo deste ano.
Em 2023, Eduardo foi um dos autores do projeto de resolução que criou o grupo parlamentar Brasil-Bahrein no Congresso. Na justificativa do projeto, Eduardo afirmou que visitou o país em 2019, sendo o primeiro parlamentar a cumprir agendas ali, e que a criação do grupo facilitaria o “apoio ao fortalecimento das relações bilaterais” entre os dois países. Frias também integra esse grupo parlamentar.
Sinais trocados
Até mesmo aliados de Flávio se disseram surpresos com a revelação de que o senador conversou com Vorcaro e criticaram a falta de transparência do parlamentar. Eles reconhecem que isso gera desgaste para a campanha e citam, principalmente, a mudança de postura de Flávio que, até então, negava qualquer relação com o banqueiro e o Master.
Eles também criticaram a estratégia da pré-campanha e falaram em uma reação fraca de Flávio às revelações e um bate-cabeça entre aliados dele. Interlocutores do senador também criticaram o próprio Frias, que divulgou nota contradizendo a versão de Flávio.
Na noite de quarta, o deputado federal publicou nota em seu perfil nas redes sociais afirmando que “não há um único centavo do senhor Daniel Vorcaro” no filme. “E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita sobre ele e seu banco”, afirmou em publicação nas redes.
Horas antes, no entanto, Flávio admitiu ter buscado o banqueiro para patrocinar o filme do pai, mas negou irregularidades. O pré-candidato também cobrou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o escândalo do Banco Master, afirmando ser fundamental “separar os inocentes dos bandidos”.
Na mesma nota, Mario Frias afirmou que Flávio “não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora”. "Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio", escreveu.
Na noite de quinta-feira, publicou uma nova nota sobre o tema. Segundo ele, a divergência foi "uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento".
"Quando afirmei anteriormente que não há “um centavo do Master” no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", escreveu Frias.
A Entre foi justamente a empresa usada por Vorcaro para transferir os recursos.
O longa-metragem é descrito por Frias como "uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional".
Frias fez outras postagens nas redes sociais defendendo o aliado. Numa delas, pede a criação da CPI do Banco Master e, na outra, compartilha matéria que dizia que Vorcaro também tinha financiado filmes sobre Lula e o ex-presidente Michel Temer.
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