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Crise de credibilidade de Flávio Bolsonaro vira alvo da pré-campanha de Lula, que deve explorar relação com Vorcaro

Aliados de Lula apontam que episódio envolvendo dono do Banco Master evidencia problemas de confiança nas declarações do senador

Agência O Globo - 15/05/2026
Crise de credibilidade de Flávio Bolsonaro vira alvo da pré-campanha de Lula, que deve explorar relação com Vorcaro
- Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

A pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia estratégias para explorar as contradições do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Aliados do petista, que articulam sua campanha para um quarto mandato, consideram que o episódio não deixa dúvidas sobre a falta de confiança nas declarações do senador, identificando esse aspecto como um dos principais pontos fracos do adversário.

Flávio Bolsonaro havia negado anteriormente qualquer contato relevante com Vorcaro. No entanto, como revelou O Globo, aliados chegaram a questionar diretamente o senador sobre uma possível proximidade com o dono do Banco Master antes mesmo de seu lançamento como pré-candidato ao Palácio do Planalto, recebendo dele a negativa de relação significativa entre ambos.

Na última quarta-feira, porém, um áudio divulgado pelo Intercept Brasil mostrou Flávio solicitando recursos a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Após a divulgação, o senador admitiu ter pedido ajuda financeira ao banqueiro.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou o senador em nota.

As mensagens obtidas pelo Intercept também evidenciam proximidade entre Flávio e Vorcaro, como um texto enviado pelo senador em 16 de novembro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Levantamentos internos da pré-campanha petista já haviam identificado que o eleitorado aponta problemas de credibilidade na imagem de Flávio Bolsonaro, mesmo antes do episódio com Vorcaro.

Essas pesquisas indicavam que as pessoas têm dificuldade em acreditar nas declarações do senador e percebem falta de consistência em suas afirmações.

O grupo de Lula vinha desenvolvendo estratégias de ataque que explorassem justamente a desconfiança gerada por Flávio, aspecto mapeado como um dos seus principais calcanhares de Aquiles.

Com a divulgação das mensagens em que Flávio solicita dinheiro ao banqueiro para o filme do pai, a estratégia será intensificada. O contraste entre Lula e Flávio deve se tornar um dos eixos centrais da campanha e das ações digitais, sendo explorado em vídeos curtos, declarações públicas, mensagens de WhatsApp e durante a propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio.

O elemento de desconfiança e o temor sobre um possível mandato presidencial sob comando de Flávio Bolsonaro devem nortear boa parte da comunicação petista.

“Temos que ter dimensão da gravidade da situação. Uma coisa é ter denúncia, delação, e tudo precisa ser provado, todos têm presunção de inocência. Outra coisa é ter prova material, como um áudio que mostra ele pedindo R$ 134 milhões. É muito grave, a sociedade vai saber fazer seu julgamento”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Nas redes sociais, o PT tem apostado em cortes de falas de Flávio e vídeos de integrantes do partido, como Lula e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, abordando as irregularidades envolvendo o Banco Master. Em uma das postagens, o partido utilizou um mini rap intercalado com declarações do senador e o refrão “Meu amigo Vorcaro”. Integrantes da equipe de comunicação do partido trabalharam durante a madrugada para preparar conteúdos direcionados ao filho de Jair Bolsonaro.