Poder e Governo
PF investiga se recursos de Vorcaro financiaram estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Polícia Federal apura se valores destinados a filme sobre Jair Bolsonaro também custearam despesas do filho do ex-presidente nos Estados Unidos.
A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, também teria sido utilizado para custear a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Amado Mundo e confirmadas pelo jornal O Globo, a PF busca esclarecer se os valores repassados por Vorcaro foram totalmente destinados à produção cinematográfica ou se parte deles foi desviada para despesas pessoais de um dos filhos do ex-presidente.
Na última quarta-feira, o site Intercept Brasil publicou conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Nas mensagens, o senador solicita ao empresário, que já enfrentava problemas relacionados ao Banco Master, o pagamento de "parcelas" para financiar um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, previsto para ser lançado às vésperas das eleições de outubro.
O longa-metragem, que narra a campanha de 2018 do ex-presidente, teria recebido até R$ 61 milhões em repasses do banqueiro. Flávio Bolsonaro confirmou as negociações, mas negou que tenha havido qualquer tipo de favorecimento em troca.
— O que aconteceu foi um filho buscando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público — afirmou o senador.
O material divulgado, também sob investigação da PF, mostra que Flávio Bolsonaro insistiu diversas vezes no repasse dos recursos para o filme, demonstrando conhecimento sobre a crise enfrentada pelo Banco Master à época. Um dos diálogos ocorreu na véspera da primeira prisão de Vorcaro.
A primeira solicitação documentada data de 8 de setembro de 2025, período em que, segundo Flávio, a produção do filme “Dark Horse” enfrentava dificuldades para honrar compromissos financeiros. “Tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso, e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, disse o senador.
Em outra mensagem, dois meses depois, Flávio reforça o pedido: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”.
Na manhã de quarta-feira, ao ser questionado por um repórter do Intercept sobre o caso, Flávio Bolsonaro inicialmente alegou que as conversas eram "uma mentira". No entanto, após a publicação da reportagem, admitiu os contatos com Vorcaro, classificando-os como uma negociação entre partes "privadas".
Daniel Vorcaro está preso e negocia uma delação premiada que pode impactar representantes dos três Poderes. São esperadas revelações sobre sua atuação para obter proteção política e acobertar fraudes no banco.
O caso envolve nomes de diferentes espectros políticos e tem alimentado uma disputa de narrativas entre esquerda e direita. As novas informações, somadas à recente operação da PF que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), elevam a pressão sobre o bolsonarismo.
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