Poder e Governo

Mendonça determina transferência de policial ligado a Vorcaro para presídio federal após denúncia da PF

Segundo a PF, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva poderia influenciar integrantes do 'braço armado' do grupo do ex-banqueiro que não estão presos.

Agência O Globo - 14/05/2026
Mendonça determina transferência de policial ligado a Vorcaro para presídio federal após denúncia da PF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: © flickr.com / Fellipe Sampaio/STF

A Polícia Federal afirma que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do "braço armado" do grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recebeu, enquanto estava preso, informações sobre operações policiais. Marilson foi capturado na terceira fase da operação Compliance Zero, em março, mesma ofensiva que prendeu Vorcaro pela segunda vez.

De acordo com os investigadores, o fato de Marilson ter acesso a dados sigilosos sobre diligências realizadas fora do cárcere demonstra a existência de uma "rede externa ainda ativa", o que indica que o policial aposentado é capaz de influenciar integrantes da "Turma" que permanecem em liberdade. Para a PF, Marilson exerce papel central na coordenação do "braço armado" do grupo de Vorcaro, sendo capaz de articular, comandar e acessar informações sensíveis mesmo após sua prisão.

Essa constatação levou a Polícia Federal a solicitar a transferência de Marilson para um presídio federal, sob o argumento de que uma prisão comum "não seria suficiente para neutralizar" sua influência nem garantir a efetividade das investigações.

O pedido foi acatado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Relator da operação Compliance Zero, Mendonça reconheceu o "papel de liderança" de Marilson na organização e considerou imprescindível sua permanência em um presídio "com maior rigor de fiscalização, restrição de contatos e reforço da incomunicabilidade prática, a fim de impedir que continue a influenciar a organização criminosa ou a frustrar o andamento das investigações".

O inquérito também aponta que, quando estava na ativa, Marilson utilizou seu acesso institucional ao sistema da PF para consultar pessoas e empresas de interesse do grupo de Vorcaro. Os investigadores destacam que ele se aproveitou de sua experiência e vínculos internos "para abastecer a organização com informações reservadas".

Ainda segundo a PF, há indícios de que Marilson continuou recebendo pagamentos e mantendo uma "estrutura financeira vinculada ao esquema" mesmo após o avanço das investigações da Compliance Zero.