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PF aponta que hackers contratados por Vorcaro recebiam R$ 75 mil mensais para ataques virtuais

Pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira, junto a policiais federais suspeitos de envolvimento no esquema

Agência O Globo - 14/05/2026
PF aponta que hackers contratados por Vorcaro recebiam R$ 75 mil mensais para ataques virtuais
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Uma investigação da Polícia Federal revelou que integrantes do grupo de hackers ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, recebiam R$ 75 mil por mês para executar ataques cibernéticos e invasões telemáticas. O esquema é alvo da Operação Compliance Zero.

Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a sexta fase da operação nesta quinta-feira, Henrique Vorcaro, pai de Daniel, foi preso sob suspeita de atuar como operador financeiro dos pagamentos ao grupo denominado "A Turma". Esse grupo seria responsável por ameaças, intimidações e obtenção de dados sigilosos de desafetos de Vorcaro.

De acordo com a PF, a divisão dos valores foi detalhada por Luiz Phillipe Mourão, conhecido como “Sicário”, em conversa com Daniel Vorcaro. No diálogo reproduzido no relatório, Mourão diz: “Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma”.

Felipe Mourão mantinha uma relação direta de prestação de serviços com Vorcaro, sendo responsável por obter informações sigilosas e monitorar pessoas, conforme apuração da PF.

A investigação também identificou, em outros diálogos analisados, que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, seria o responsável ordinário pelos pagamentos. Em uma das mensagens citadas pela PF, Mourão relata: “Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor. Obrigado”.

Esta fase da Operação Compliance Zero mira suspeitos de práticas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. Segundo a investigação, havia dois grupos: "A Turma", dedicada a ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos e acessos indevidos a sistemas governamentais; e "Os Meninos", considerado o braço tecnológico, responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal.