Poder e Governo
Pai de Daniel Vorcaro, preso pela PF, doou R$ 1 milhão ao Novo em Minas Gerais
Apoiadores bolsonaristas usam doação para atacar Romeu Zema, que criticou áudios de Flávio Bolsonaro ao banqueiro
Henrique Moura Vorcaro , pai de Daniel Vorcaro e preso nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal, realizou uma doação de R$ 1 milhão ao diretório estadual do partido Novo em Minas Gerais em 2022. A contribuição consta na prestação de contas anuais da sigla, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e voltou a circular em perfis de aliados bolsonaristas após o ex-governador Romeu Zema (Novo) chamar de "tapa na cara" os áudios enviados por Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro.
A doação foi efetuada em 4 de agosto de 2022, na véspera do início da campanha eleitoral, período em que Zema disputou a reeleição ao governo mineiro. O valor, registrado como "transferência eletrônica", foi destinado à "manutenção do partido". No mesmo ano, o Novo arrecadou R$ 28 milhões em cerca de 20 doações de empresários e agentes políticos. Procurado pelo jornal O Globo, o partido Novo não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Em nota ao O Globo , Romeu Zema esclareceu que a doação foi destinada à legenda e não à sua campanha. “A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro; a PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024”, afirmou. “A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente, está registrada na Justiça Eleitoral”, acrescentou o ex-governador, dizendo ainda que “não tem rabo preso” e se apresenta como “o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis”.
Henrique Vorcaro é figura conhecido no setor empresarial de Minas Gerais, com décadas de atuação em infraestrutura, engenharia e construção pesada. Ele foi preso sob acusação de integrar "A Turma", grupo descrito como milícia privada e estrutura de coerção comandada pelo ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", também foram presos nas fases anteriores da operação e integraram o grupo.
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro utilizou a conta do pai, Henrique, para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do Banco Master, em parceria com a empresa CBSF DTVM, antiga Reag. A Reag é mencionada na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento. A empresa nega qualquer irregularidade.
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