Poder e Governo
Vorcaro usou conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do Master, aponta PF
Nome de Henrique Vorcaro, preso nesta manhã, já havia sido citado na terceira fase da Operação Compliance Zero, levando à segunda prisão do ex-banqueiro
O empresário Henrique Vorcaro, preso na manhã desta quinta-feira (13), é titular de uma conta utilizada por seu filho, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para a suposta ocultação de recursos bilionários em meio às investigações da Operação Compliance Zero, segundo a Polícia Federal. Investigadores apontam que, enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) arcava com o prejuízo do Master no mercado financeiro, Vorcaro teria escondido de credores e vítimas cerca de R$ 2,2 bilhões.
Henrique Vorcaro é um dos principais alvos da sexta fase da operação, deflagrada nesta manhã para cumprir sete mandados de prisão preventiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de 17 ordens de busca e apreensão.
Na terceira fase do Compliance Zero, em março, o nome de Henrique já havia sido relatado. Na ocasião, decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revelou que Daniel Vorcaro ocultou de credores e vítimas R$ 2,2 bilhões em uma conta de Henrique junto à empresa CBSF DTVM, antiga Reag. A Reag também é mencionada na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro do PCC por meio de fundos de investimento. A empresa nega qualquer irregularidade.
Para a Polícia Federal, a ocultação dos valores, mesmo após a soltura de Daniel Vorcaro em novembro, reforça as acusações de reiteração delitiva do ex-banqueiro, ou seja, a continuidade das “condutas ilícitas” durante as investigações sobre o escândalo do Mestre.
As declarações de “ocultação e dilapidação do patrimônio obtido ilicitamente” fundamentaram a segunda prisão de Daniel Vorcaro, em março.
Uma semana antes da terceira fase do Compliance Zero, o nome de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também foi citado em um pedido apresentado pelo liquidante do Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas, à Justiça dos Estados Unidos, para congelar uma mansão na Flórida constatada pertencente à família Vorcaro.
Segundo o documento, Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro, pai e irmã de Daniel, teriam utilizado a empresa Sozo para adquirir a propriedade em fevereiro de 2023, como parte de um suposto esquema para “comprar ativos com recursos desviados do Master”, dando “continuidade à fraude”.
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